O futsal português tem, por estes dias, um nome em voga: Nandinho. Aos 29 anos, o ala do Modicus chegou finalmente a um patamar de excelência, aprovado com a estreia nas chamadas à seleção nacional para o segundo jogo do play-off de apuramento para o Mundial, frente à Bielorrússia. Pouco depois chegava o primeiro golo, no particular frente à Bélgica, e a certeza de um valor que tardou a afirmar-se.
«Demorou, mas para aquelas pessoas que não acreditavam no Nandinho se calhar a resposta agora está dada» conta Nandinho numa conversa com o zerozero.pt. «Infelizmente não tive a utilidade que gostaria de ter tido noutros lados porque se calhar já tinha ido mais cedo à seleção. Este treinador - Rui Pereira - tem apostado mais em mim e também tive a felicidade de trabalhar com o Paulo Tavares, que me incutiu confiança e ensinou-me a acreditar mais nas minhas capacidades e na qualidade que tenho dentro de mim», conta.
Para aquelas pessoas que não acreditavam no Nandinho se calhar a resposta agora está dadaConvidado a reviver o momento da primeira internacionalização, Nandinho não esconde o orgulho que o invadiu: «Foi um momento único. Lembrei-me logo das pessoas de quem mais gosto porque aquele era um momento de grande orgulho, o de representar a seleção, e por isso a minha filha e o meu pai, que já faleceu, foram os primeiros a virem-me à cabeça» revela ao nosso portal, antes de apontar ao próximo objetivo pessoal.
«Eu tinha o sonho de representar a seleção, já o consegui, e agora acalento outro sonho, que é representar a seleção numa grande competição. Eu quero ir ao Mundial, mais ainda depois de já ter estado naquele grupo. Vou trabalhar imenso para poder ser chamado» atira sobre o tema seleção.
«É impossível fazer melhor que o 3º lugar»
Nandinho chegou ao Modicus em 2009 depois de cinco épocas ao serviço do FC Alpendorada na 1ª Divisão. Depois de conseguir a subida logo no ano de estreia, o internacional português vive, esta temporada, um ano histórico no clube de Sandim: «O meu grande objetivo era ajudar a equipa a conseguir a melhor classificação de sempre, que era o 3º lugar, e conseguimos», explica ao zerozero.pt já depois de confirmar a presença nas meias-finais do campeonato, frente ao Sporting.
E esse é um ponto interessante no atual panorama do futsal português. A pergunta: Era impossível fazer melhor? «Era impossível. Estamos a falar de mundos diferentes, de uma luta desigual. São duas equipas profissionais (Benfica e Sporting), com orçamentos muito superiores, enquanto o nosso é muito baixo e os jogadores são amadores. Demos o nosso melhor e acreditem que é impossível fazer melhor. Mesmo no jogo da final da Taça - derrota por 2x1 frente ao Benfica - demos o nosso melhor e no campeonato conseguimos o nosso objetivo que era chegar às meias-finais» confirma Nandinho.
Ir para o estrangeiro só por ir, não, prefiro ficar em PortugalCom 38 golos apontados na fase regular do campeonato nacional de futsal, Nandinho afirmou-se como o melhor marcador da prova. Um objetivo que só se tornou um na reta final: «Não tinha isso como objetivo. A questão de ser o melhor marcador tornou-se mais um objetivo nas últimas jornadas, até por uma questão de ambição do grupo em ter alguém no topo da lista, fosse eu ou outro qualquer. Fui mas sem a ajuda deles nada disto seria possível», conta.
O sonho da final da Taça de Portugal e o estrangeiro
O Modicus perdeu a final da Taça de Portugal frente ao Benfica, por 2x1, com Nandinho a fazer o golo do empate a dois minutos do final. Chegou a acreditar: «Sabendo que empatei o jogo a faltarem dois minutos para o final pensei logo no prolongamento e, confesso, até já estava a resguardar-me para esse período. Estava mesmo convicto que iriamos levar o jogo a prolongamento mas infelizmente tivemos um descuido e sofremos o segundo golo. Mas acho que merecemos estar na final, naquele palco, porque fizemos um grande percurso na Taça.»
A terminar a conversa, Nandinho revelou porque motivo nunca experimentou outros países: «Eu já tive propostas do estrangeiro. Mas tenho 29 anos, um trabalho estável e uma filha para criar. Portanto, só iria para o estrangeiro se fosse mesmo uma proposta irrecusável, porque ir só por ir, não, prefiro ficar em Portugal», atira o mais recente internacional português.