Daniela Ribeiro: “ O desporto vive da entrega, vontade e compromisso das atletas”



Estivemos à conversa com Daniela Ribeiro, guarda-redes portuguesa que esta época assinou pelo Pescara (Itália).

Aos 29 anos Daniela conta já com 36 internacionalizações e com uma carreira muito preenchida contando com passagens por clubes como EDC Gondomar, Baguim do Monte, Restauradores Avintenses, Diogo Cão, Sinnai, Kick Off estando agora ao serviço do Pescara.

Desde já nós na Zona Técnica (ZT) agradecemos à Daniela (DR) a disponibilidade para nos dar a seguinte entrevista:

ZT - A Daniela é uma das jogadoras mais conceituadas do Futsal Feminino Nacional, mas encontra-se fora do país desde a época 2013/14, curiosamente o ano de estreia do Campeonato Nacional, de lá para cá criou-se também a Taça Nacional de Juniores Femininas, como tem visto o crescimento do futsal feminino em Portugal?

DR - O futsal feminino em Portugal tem vindo a crescer tanto. Fico extremamente feliz por ver que os frutos começam a nascer e as provas vivas estão à vista de todos. Com a criação da Seleção Sub-17, foi mais uma demonstração que temos todas as condições para poder prosseguir como um país exemplar no futsal feminino. E quando me perguntam o que penso relativamente à formação na modalidade, tenho como referência o meu país Natal, que mesmo com a ausência de tantos apoios consegue sempre criar condições de trabalho e proporcionar o devido crescimento às atletas.

ZT - Se por um lado o Futsal Feminino está a crescer, por outro há alguns fatores preocupantes com a desistência de algumas equipas, das 16 equipas que disputaram o campeonato nacional na época passada 4 desistiram, o que tem a dizer sobre estas desistências? Quais os principais motivos? E os principais culpados?

DR - O desporto vive da entrega, vontade e compromisso das atletas. As entidades envolventes pela criação de campeonatos e das respetivas equipas devem certificar-se que as condições para que se consiga prosseguir estejam reunidas e sabemos que se uma desta coisas falha pode cair todo um grupo de trabalho. Não me sinto capaz de julgar quem quer que seja, pois imagino que se um dia existiu a criação de algo de tão fascinante só uma razão enorme poderá ter levado à queda estes projetos.

ZT - Dos quatro clubes desistentes, respeitando o projeto e o trabalho de cada um dos clubes, vemos dois deles como históricos da modalidade, um deles o Del Negro, e o outro os Restauradores Avintenses, um dos clubes mais importantes na sua evolução, se não o mais importante, e que certamente a marcou muito tanto pessoalmente como desportivamente. Como vê a desistência dos Restauradores Avintenses? Espera um regresso futuro do clube à modalidade?

DR - Foi uma das notícias que me deixou extremamente triste. Foi sem dúvida o clube que mais me marcou e pelo qual nutri um carinho bem mais que especial, quer pelos tantos anos que representei as suas cores, pelas amizades que criei, quer pela qualidade de equipas técnicas que tive. Trabalhar com o André Teixeira foi um dos maiores privilégios que tive, que independentemente do amigo que é fora, é dentro de campo o meu melhor exemplo de treinador. A paixão, a entrega, os sacrifícios, o querer, o desejar, o sentir e tudo o que de mais positivo o futsal possa reunir, eu pude experimentar com o André e com o excelente grupo que tinha. Apesar de todas as saídas, foi ele o único que não deu o braço a torcer e continuou a levar o “barco” até onde lhe foi permitido. Se o clube regressará à modalidade? Não sei. A única coisa que fica são as lembranças de quem tudo fez em troca de sorrisos e das felicidades desta maravilhosa modalidade. “Guardar o que é bom de guardar…”

 

ZT - Já que falamos em desistências e virando agora um pouco a conversa para o campeonato onde joga, existiram Rumores de uma possível desistência de um dos clubes mais conhecidos do Futsal Feminino, o Ternana, segundo informações mais recentes não haverá desistência, mas não deixa de mostrar uma imagem de fragilidade, o que acha que falta ao Futsal Feminino em Geral para que os clubes com sigam criar projetos estáveis e sustentáveis?
DR - Entrando no discurso do campeonato Italiano, entramos numa outra realidade. Em que, no meu ponto de vista, apesar da vontade de quem lidera criar condições de trabalho para as atletas, continua a existir uma lacuna enorme no que diz respeito à formação. Formar atletas é criar bases para sustentar um futuro e poder usufruir de uma linha constante de trabalho. Enquanto a formação não for devidamente implementada, creio que as equipas estarão mais suscetíveis a falhar enquanto projeto. Obviamente existe um enorme número de condicionantes para que nada falhe mas se realmente tem de se iniciar por algum lado, porque não este?

ZT - Continuando por Itália, a Daniela chegou em 2013 para representar o Sinnai, clube que representou até agora à exceção da época 2015/16 em que defendeu as cores do Kick Off. Vai agora para o seu 3º clube em Itália, 4 épocas onde já ficou conhecida como uma Guarda-Redes “goleadora” pela facilidade que tem em marcar golos quando a equipa adversária joga com guarda-redes avançado, mas apesar das belas prestações que já teve ainda lhe falta um “Scudetto” no currículo, é este o seu grande objetivo ainda por concretizar em Itália?

DR - Obviamente o objetivo máximo de um campeonato é sempre o “Scudetto”. Não posso negar que tenho o sonho de o conquistar. E assim o prefiro tratar, um sonho. É que adoro sonhar e sobretudo trabalhar todos dias para transformar sonhos em fantásticas realidades. Quem sabe se conseguiremos transformar este tão desejado sonho! Por agora resta-nos trabalhar e ambicionar mais a cada treino.

 

ZT - Este ano chega a um Pescara ambicioso, que renova com 7 jogadoras ( Brattelli, Vianale, Bertè, De Massis, Antonaci, Plevano e Bellucci) onde à exceção de Belluci todas as restantes jogadoras parecem ser apostas no futuro do clube, e contratou 8, tendo contratado Jessica Exana ao Real Statte, a internacional “azzurra” e sua colega de posição Angela Vecchione à Lazio, a internacional Portuguesa Jenny que chega do Sporting, Taty e Siclari que foram campeãs e vencedoras da Taça pelo Olimpus, a campeã do mundo pelo Brasil em 2015 “Tampa” e por ultimo uma jogadora que a acompanha do Sinnai e é sem duvida a mais mediática dos reforços, Vanessa Pereira, 3 vezes melhor do mundo para a FutsalPlanet, campeã mundial por 6 vezes, e que foi a melhor marcadora do Girone A , da Taça e a segunda melhor da Gold Round o ano passado. Com este plantel de luxo , qual o objetivo do clube e o seu objetivo pessoal para a época que se avizinha?

DR - Sim, de facto cheguei a um Pescara de excelência, mas tenho os pés bem assentes na Terra, porque o mérito gerado por nomes não nos faz ganhar nada. Acredito que temos as melhores condições reunidas para ser um ano extraordinário e sem dúvida que torna este projeto ainda mais motivador. O facto de terem construído uma equipa, na minha opinião, muito forte é uma boa base para tudo, mas não posso deixar despercebido o projeto criado e em crescimento por parte do Pescara, uma sociedade exemplar que cria condições de trabalho de excelência.

ZT - Para finalizar deixamos uma pergunta um pouco polémica. A Daniela saiu aos 25 anos para Itália, para aquela que é para muitos a melhor liga do mundo, e onde tem a oportunidade de jogar futsal profissionalmente, e com exelentes condições de trabalho. Ainda assim, muitas pessoas vêm essas saídas para Itália com maus olhos pois apesar de criar melhores condições momentâneas e com maiores vencimentos, a carreira de uma jogadora de futsal não é muito longa e deixa as jogadoras sem grandes soluções profissionais para o pós-futsal, o que tem a dizer sobre essa situação?

DR - Tudo na vida tem o seu tempo e se até aos 25 anos não agarrei um projeto fora do país foi porque até então a minha prioridade eram os estudos. Se as coisas são devidamente pensadas e ponderadas talvez seja mais fácil afrontar o que está por vir. Não me dou por “vencida” de forma fácil e para ajudar adoro trabalhar e, por opção própria, sempre quis conciliar o meu trabalho no futsal com um trabalho paralelo como até então tenho feito. Se é difícil? Posso dizer que em determinados momentos sim, mas nada me faz mais realizada do que viver a estrada que escolhi. Respondendo à questão, em primeiro lugar creio que para mim não vai haver “pós-futsal” porque encontrarei sempre um meio de estar de alguma forma ligada à modalidade, relativamente às soluções profissionais continuarei a exercer na minha área de estudo como até agora tenho feito e se tiver de mudar de área com certeza encontrarei forças para continuar. O importante é sonhar e ser feliz.

 

 



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