Futuro Garantido | Dricas



Estamos hoje de regresso às crónicas de Futuro Garantido, e para esta 4ª edição da crónica trazemos um dos nomes que mais se tem destacado neste Campeonato Nacional, Adriana Mendes.

Adriana Raquel Proença Mendes, mais conhecida no mundo do Futsal por Dricas, é aos 22 anos um dos grandes valores deste Campeonato Nacional que vai piscando o olho à seleção nacional.

Natural de Caria, uma freguesia do concelho de Belmonte com cerca de 2000 habitantes, a jovem beirã desde cedo que começou a mostrar que a bola era um dos seus prediletos brinquedos, como fez questão de nos referir: “sempre gostei de estar com a bola nos pés. Não tenho memória de uma idade em que não houvesse em casa uma bola para jogar”.

Esta não era uma paixão única, mas sim dividia com a música nos seus anos de criança quando frequentava uma escola de música e dava os seus primeiros passos no futsal federado ao serviço da Casa do Benfica de Belmonte, algo que aconteceu com alguma naturalidade porque surgiu “como forma de dar continuidade ao que fazia em casa e na escola. O meu irmão, que só tem mais um ano do que eu, também gosta de jogar e quando surgiu a oportunidade, começamos os dois na mesma equipa”.

 

» O ÍNICIO NA C.B. BELMONTE

Temos de recuar ao já longínquo ano de 2010, quando Adriana ainda estava para completar os 12 anos e foi então pela primeira vez inscrita na Federação Portuguesa de Futebol para representar a Casa do Benfica de Belmonte.

O clube vinha de alguns anos com bons projetos que terminaram quando outro clube da cidade o UD Belmonte teve novas instalações para a prática de futebol e acabou por levar a grande maioria dos jovens da vila para lá, mas Adriana foi mesmo para o futsal onde apesar de muito pequena, ainda infantil de segundo ano, foi autorizada a competir com a equipa no escalão de Juvenis Masculinos, encontrando assim rapazes com mais 4 anos que ela e com uma diferença física bem notória, algo que não a intimidava: “Antes dos jogos, passava-me pela cabeça querer ganhar e querer fazer tudo bem. Em relação à diferença física, como disse comecei a jogar com o meu irmão e ele sempre foi grande, sempre brincamos em casa, e isso deixava-me mais despreocupada com os rapazes, porque não era algo estranho para mim. Mas obviamente perdia sempre no contacto físico, porque a diferença era enorme”.

Esteve apenas um ano no clube, onde acabou por terminar na ultima posição do Campeonato Distrital, mas para uma jogadora acabada de começar foi sem duvida uma temporada que serviu para um enorme crescimento, como a própria admitiu: “Trouxe muitos contributos positivos. Foi o primeiro contacto com o futsal, com a competição e com a ideia de trabalhar em equipa neste contexto. Aprendi as bases, desde o passe e receção específicos do futsal, até às primeiras movimentações. Mas claro que eu era muito pequena no meio de juvenis masculino e isso trazia dificuldades. Só que é uma idade em que o meu único pensamento estava na vontade de poder jogar, poder fazer parte de uma equipa. Então, acho que absorvi muitas coisas, entre elas princípios. O respeito, a persistência, a preocupação pelo colega, a capacidade de superação… Todos esses pormenores (tão importantes) que devem fazer parte de qualquer pessoa e atleta”.

 

» A MUDANÇA PARA UM AMOR ETERNO, O U.D. CARIENSE

Depois dessa época de estreia, Adriana mudou-se para a União Desportiva Cariense, clube também do concelho de Belmonte que milita há várias temporadas na Segunda Divisão Masculina de Futsal.

Mas a mudança não correu da melhor maneira e de uma forma até um pouco estranha a jovem jogadora foi impedida de representar o clube na temporada de estreia porque segundo o que lhe foi dito não lhe era permitida a inscrição por ser rapariga, apesar de nesse ano até ser no respetivo escalão, ela que na época anterior tinha feito uma dupla subida e jogado precisamente com rapazes, algo que lhe deixou algum desgosto na época: “Eu queria muito competir, e a UD Cariense era o clube da minha vila, onde os meus colegas de equipa eram também os meus colegas da escola. Isso trazia-me ainda mais vontade de poder jogar ao lado deles”.

Seguiram-se então 4 anos no Cariense, da quais três foram também na formação masculina, o que deixou assim um total de 5 temporadas entre rapazes, 4 a competir e uma a treinar apenas, e Adriana não tem duvidas: “Os anos de passagem pela formação masculina permitiram uma evolução que não poderia ter em nenhum clube feminino naquele momento, porque a competição feminina no distrito de Castelo Branco estava na altura com poucas atletas e equipas inscritas”, ela que acrescentou ainda que “na prática, jogar com rapazes deu-me mais força, mais capacidade de carga física, mais resistência, mais exigência… E isso foi ótimo. Foram anos muito bons, o ambiente era tranquilo e eu gostava mesmo de jogar com eles”.

Se o primeiro dos seus 5 anos no Cariense teve esse amargo de não competir, o último podia não ter acontecido, uma vez que se até juvenil era permitido jogar em escalão misto, daí para a frente já não era permitido, mas aí a equipa de Caria não quis deixar Adriana sair e criou uma equipa sénior de futsal feminino para a poder manter nos quadros.

Adriana esteve apenas um ano nessa equipa que com a saída desta que foi a capitã de equipa terminou também com o projeto no feminino. Uma época diferente onde participou numa Taça Nacional de Juniores, e onde no escalão sénior no campeonato o Cariense não se conseguiu opor ao hegemónico Valverde, mas conseguiu conquistar a supertaça contra esse mesmo conjunto com um bis de Adriana, que descreveu da seguinte forma esta última temporada: “O último ano na equipa feminina acabou por ser mais uma nova experiência, onde felizmente conseguimos lutar por todas as competições. Nada melhor do que terminar com um título!”

Ela que terminou o seu discurso sobre esta passagem pelo Cariense dizendo: “será sempre um clube especial para mim, por toda a envolvência, desde o Presidente, a Direção, treinadores e todas as pessoas que contribuem para que o projeto continue a crescer. Agradeço tudo o que fizeram por mim”. 

 

» O PANORAMA NACIONAL NO HISTÓRICO RESTAURADORES AVINTENSES

Em 2016 fazia assim certamente uma das mudanças mais difíceis da sua vida. Saída da sua zona de conforto, do seu recanto no interior e mudou-se para uma grande cidade à procura de novas oportunidades na sua vida escolar e desportiva.

O destino foi o Restauradores Avintenses, clube que representou nessa temporada 2016/17 onde deambulou entre juniores e seniores femininas.

Foi um ano desafiante e difícil para Dricas, nome que apenas agora referimos nesta crónica para além de o termos feito na introdução uma vez que foi já neste Restauradores que ganhou esta alcunha que vai mantendo até hoje. Ela que nos confidenciou que “o que custou mais foi a adaptação, porque a exigência tática e mental foi muito superior ao que estava habituada. Aproveitei as várias dificuldades para aprender muito. Principalmente a nível tático, considero ter sido o ano em que aprendi mais”.

Os Restauradores Avintenses estavam num Campeonato Nacional onde não sendo os principais candidatos ao titulo, eram candidatos a vencer todos os jogos em que participavam, não tinham nenhuma equipa vista como inatingível, e por isso “a qualidade do plantel era enorme e foi bom para mim poder aprender com isso. Toda a gente me recebeu muito bem e me ajudou nesta adaptação, tanto no futsal como na mudança para o Porto. Trago comigo todo o carinho recebido durante esse ano!”

O ano de estreia de Dricas no Restauradores foi também o último do projeto no futsal sénior feminino do clube que como é publico na temporada seguinte abdicou da sua participação no Campeonato Nacional. A despedida desta jovem jogadora dos Avintenses podia ter sido bastante risonha, uma vez que jogou na Covilhã, a sua cidade, uma Final Four da Taça Nacional de Juniores Femininas, onde a sua equipa defendia o titulo conquistado na temporada anterior, mas o titulo acabou por ser conquistado pelo Sporting num ultimo jogo onde essas duas equipas disputavam tal conquista, mas a beirã tirou também pontos positivos desta experiência: “É uma competição que já conhecia bem (de fora), porque acompanhei sempre nos anos anteriores. Conhecia relativamente bem as equipas e os historiais. Ter sido na Covilhã tornou tudo mais especial para mim, queria mesmo ser campeã nacional na minha cidade. Infelizmente, não fomos suficientemente eficazes para isso… Mas como sempre, é mais um momento de aprendizagem”.

 

» DUM HISTÓRICO EM FIM DE LINHA PARA OUTRO A RENASCER, OS LOMBOS

A saída dos Restauradores Avintenses ditou também a mudança de cidade para a capital do país.

Dricas mudava-se para a Quinta dos Lombos, um clube histórico da modalidade com Taça Nacional e uma Taça de Portugal como principais conquistas no palmarés do clube, mas que estava longe desses tempos áureos depois de duas épocas seguidas de completas razias no mercado de verão.

Apesar de propostas até mais aliciantes, Dricas escolheu esta Quinta dos Lombos porque “desde o tempo em que jogava com rapazes, eu via resumos das competições nacionais de futsal feminino, porque gostava de acompanhar essa realidade. O CRC Quinta dos Lombos era sempre presença em fases finais, um clube com história e muita qualidade no futsal feminino. Entro numa fase em que a equipa se estava precisamente a reerguer, e isso foi desde logo um propósito bom para mim. Sempre vi o Quinta dos Lombos como exemplo de trabalho, crescimento e continuidade desde a formação. Entrei com o objetivo de aprender, de desfrutar, de ajudar ao máximo, e de colocarmos a equipa onde merece estar”.

Adriana cumpre agora a quarta temporada nos Lombos, todas elas muito diferentes. Uma primeira onde conseguiram com alguma dificuldade o acesso à Zona de Campeão, apesar de até ter conseguido 6 pontos de vantagem para a equipa que ficou abaixo desse 4º lugar, uma temporada seguinte onde fizeram história ao conseguir um segundo lugar nunca antes atingido no Apuramento de Campeão do Campeonato Nacional, e na temporada passada um ano que acabou por não terminar e que ditou algumas mudanças na equipa com saídas de jogadora mais experientes.

Com essas mudanças existem apenas 5 jogadoras mais velhas (Meira, Cris, Popas, Mafalda e Carvalhinhos) e duas da sua idade (Sofia Jesus e Liliu) sendo o restante plantel mais novo. Somando a isso, Dricas é a segunda jogadora com mais anos consecutivos neste plantel sénior (superada apenas por Meira), mas isto não lhe dá responsabilidades acrescidas: “A responsabilidade que assumo é a mesma desde o início. Fazer o melhor possível para ajudar a equipa. No entanto, com várias jogadoras novas, gosto que se sintam bem recebidas, que estejam confortáveis para que possam dar o seu melhor. No que respeita a pormenores táticos ou semelhantes, tento sempre ajudar no que posso. Acima de tudo, gosto que cada uma confie em si própria e que não sinta qualquer pressão negativa por errar. Mas isto é recíproco em toda a equipa, portanto não considero propriamente uma responsabilidade acrescida.  Penso que faz parte dos princípios”.

 

» A SELEÇÃO NACIONAL NO PASSADO, NO PRESENTE E NO SONHADO FUTURO

Ao longo do seu percurso, Dricas participou já em três seleções diferentes.

A primeira oportunidade apareceu quando ainda era jogadora do Cariense, e apesar de ter feito toda uma carreira no futsal, a estreia de quinas ao peito foi feita no relvado.

Depois de representar a AF Castelo Branco e de ter dado nas vistas, esta acabou por ser chamada para as sub-17 que participaram e venceram o Torneio de Desenvolvimento na Estónia e esta não escondeu que “Foi uma experiência incrível. A primeira vez que se representa a Seleção Nacional é sempre especial. Esta em particular, com um longo estágio e viagem para a Estónia, onde ganhamos o torneio, ainda melhor. São passagens que nos fazem sempre crescer, porque vemos a melhor realidade do nosso país e também dos países com quem competimos”.

Para além dessa participação na seleção nacional sub-17 de futebol feminino, mais recentemente já como jogadora da Quinta dos Lombos foi ao Mundial Universitário onde conquistou uma medalha e bronze, e na temporada passada tinha sido mesmo convocada para um estágio da seleção nacional sub-21 de futsal feminino, sendo esta então a sua terceira experiência em seleções diferentes, mas servindo esse estágio para preparar nova presença num Mundial Universitário que “Infelizmente foi adiado… Mas confesso que um dos sonhos seria ganhar o Mundial Universitário, por ser uma competição tão grande e única no escalão a que respeita”.

Esse não e ainda assim o seu maior sonho uma vez que a melhor marcadora da Quinta dos Lombos admite que tem “a ambição de representar a nossa Seleção A. Ganhar um campeonato da europa é um sonho bonito”.

 

» O NÚMERO 9, AS REFERÊNCIAS E OS DESTAQUES FINAIS

Se há coisa que Dricas vai tentando manter é o número 9 nas costas. Apesar de não o ter conseguido logo na Quinta dos Lombos por já estar ocupado, é esse o número com que joga hoje em dia, tal como tinha feito nos Restauradores e no Cariense, mas este não tem um significado tão vulgar como um ídolo de infância ou assim, segundo a própria jogadora, apenas tenta usar este numero sempre que possível porque “jogo com o 9 desde que entrei para a UD Cariense e acabou por se tornar um número especial por tudo o que lá passei… Apenas por isso”.

Quando questionada sobre ídolos ou referencias, o nome lançado foi mesmo o de uma adversária: “A Inês Fernandes. Penso que todas devemos olhar para ela como exemplo de muitos valores. Desde a conciliação de estudos, da atividade profissional com o futsal ao mais alto nível. Para mim, a jogadora mais completa do nosso país. Física e mentalmente muito forte.”

Já quanto a pessoas que mais destaca e que foram mais importantes para o seu sucesso a escolha foi bem mais difícil para Adriana que lançou um conjunto de pessoas: “Não consigo dizer apenas um nome. Os treinadores que tive marcaram-me muito, cada um à sua maneira. Também joguei e jogo com pessoas que considero muito especiais, que me marcam por diferentes motivos. Ainda assim, o maior destaque será sempre para a minha família. São incansáveis e é o meu maior suporte para tudo na vida”.

Depois de toda uma história de superação para chegar aonde está hoje, não podíamos terminar a conversa com esta jovem promessa do futsal feminino nacional sem lhe pedir uma mensagem para todas as jovens que tal como ela sejam do interior ou de outras zonas também onde as condições para vingar são reduzidas, a que ela nos respondeu com uma mensagem contagiante: “O conselho que eu dou é lutarem sempre pelos vossos objetivos. Temos de nos saber adaptar aos diferentes contextos, tanto no futsal como na vida. Portanto, façam o que gostam, independentemente se há muito mais pessoas a fazê-lo ou não. Divirtam-se, acreditem em vocês e nos vossos sonhos.”

 

Para encerrar esta crónica de Futuro Garantido, como tem sido habitual nas restantes deixamos então algumas mensagens das pessoas que Adriana destacou, com uma mensagem da sua referência Inês Fernandes, e tendo em conta o facto desta ter destacado todos os treinadores que são 6 ao todo, acabamos por pedir palavras apenas aos dois que tiveram com esta por mais que uma temporada. Vítor Costa, mais conhecido por Costinha, que fez todo o percurso com esta no Cariense, e Niki que a recebeu na Quinta dos Lombos e a treinou até à passada temporada. No final das declarações deixamos também o vídeo com alguns momentos ao longo dos seus já 11 anos de carreira.

 


“A Dricas é uma jogadora jovem que tem vindo ao longo das últimas 3 épocas a ganhar o seu espaço competitivo nos Lombos, transformando-se este ano numa referência na manobra coletiva da equipa. Não é fácil jogar a pivô e é uma posição em falta no feminino por isso espero que continue a evoluir de forma consistente para poder ser cada vez melhor jogadora e chegar cada vez mais longe"

 


A Adriana chegou ao Cariense no mesmo ano que eu comecei que treinar os iniciados com qualidade técnica acima da média de tal modo que se destacava no meio dos rapazes desde cedo se distinguiu pela facilidade de conhecer o jogo taticamente foi sempre o relógio das equipas por onde passou desde os iniciados juvenis juniores femininas e seniores femininas.

Com o passar do tempo foi se tornando imprescindível e chegava a fazer dois jogos no fim de semana pelos iniciados e juvenis e mais tarde pelas juniores e seniores femininas.

Foi sempre a atleta que qualquer treinador quer ter pois alem da qualidade técnica e conhecimento tático tinha uma grande preocupação em ajudar os colegas em superar sempre os objetivos e sempre colocou a equipa acima do individual.

Foi um orgulho fazer parte do percurso da Adriana e tenho a certeza que o melhor está para vir!

 


A Dricas apareceu nos Lombos um pouco por acaso, eu não a conhecia, sabia apenas que vinha dos Restauradores Avintenses, e que, no último ano de Junior já tinha feito alguns minutos nas seniores. Era o primeiro ano dela em Lisboa, estava muito dividida nas decisões que devia tomar (porque tinha outras propostas) e combinámos experimentar. Sem qualquer compromisso, ela ia "conhecer" os Lombos e nós íamos conhecê-la a ela. E lembro-me perfeitamente de, no final do primeiro treino pensar: não a posso deixar fugir.

A Dricas, além da qualidade que tem como atleta, e que tem vindo a crescer exponencialmente a cada época, é um ser humano muito bom. Não teve pressa de crescer, tem sempre vontade de fazer mais e melhor e, não tenho dúvidas que será uma das atletas de sucesso no futuro próximo.

A competição vai dar-lhe progressivamente a experiência que precisa para se afirmar entre as melhores num curto espaço de tempo. É não é caso único no grupo que tive oportunidade e o prazer de treinar.

Boa sorte Dricas, a tua humildade e trabalho dar-te-ão as recompensas que mereces, muito em breve. Foi um prazer e um privilégio poder trabalhar contigo.

 



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