Portugal vence na adversidade e fecha o Grupo D com pleno
Portugal terminou o Grupo D com três vitórias em três jogos, mas precisou de suar até ao último minuto para superar uma Polónia competitiva, intensa e sem medo, num encontro exigente que terminou 3-2 e confirmou os bicampeões europeus no topo do grupo.
O arranque foi surpreendente. A Polónia entrou com pressão alta, agressividade nos duelos e muita presença ofensiva, criando dificuldades reais à saída de bola portuguesa. Edu foi chamado a intervir logo nos minutos iniciais, num sinal claro de que o encontro não teria uma leitura simples.
A resposta portuguesa surgiu em transição. Aos 5’47’’, após um contra-ataque rápido, Tomás Paçó apareceu solto e finalizou com eficácia, abrindo o marcador num momento em que a Polónia parecia mais confortável no jogo.
Longe de acusar o golpe, a seleção polaca manteve o plano. A insistência foi recompensada aos 13’01’’, quando Sebastian Leszczak converteu com classe um livre direto, empatando a partida e confirmando o equilíbrio que se vivia em campo.
Portugal voltou a assumir a dianteira pouco depois. Um desconto de tempo de Jorge Braz reorganizou a equipa e, aos 14’51’’, André Coelho apareceu em zona frontal para disparar um remate forte e colocado, devolvendo a vantagem à equipa das quinas. Ainda assim, a Polónia voltou a responder antes do intervalo: aos 17’37’’, Zastawnik finalizou de ângulo apertado e levou o jogo empatado para o descanso.
A segunda parte manteve o mesmo tom. A Polónia continuou a criar volume ofensivo, acumulando remates e cantos, enquanto Portugal procurava espaços com mais paciência, muitas vezes obrigado a jogar fora do seu ritmo habitual. O encontro entrou numa fase de tensão crescente, com sucessivas aproximações às duas balizas.
Quando tudo apontava para um empate, Portugal encontrou finalmente o momento decisivo. Aos 36’28’’, Pauleta ganhou metros pelo corredor, resistiu à pressão e cruzou para o segundo poste, onde Rúben Góis surgiu no tempo certo para encostar e fazer o 3-2.
Nos minutos finais, a Polónia ainda tentou uma última reação, mas Portugal soube gerir, sofrer e fechar o encontro, assegurando os nove pontos e mantendo o registo perfeito na competição.
Ganhar na dificuldade também é um argumento
O resultado espelha um jogo duro, intenso e equilibrado. Os campeões foram mais eficazes nos momentos-chave. Ganhar na dificuldade, ganhar na adversidade — e isso também é um argumento competitivo ao mais alto nível.
Portugal mostrou que sabe vencer mesmo quando não controla, mesmo quando é empurrado para zonas de desconforto. Um sinal claro de maturidade competitiva.
Uma vitória com significado histórico
O encontro teve ainda um peso especial no banco. Jorge Braz cumpriu o 100.º jogo oficial como selecionador nacional. Um marco simbólico que ajuda a explicar muito do que Portugal é hoje: uma seleção com identidade, resiliência e capacidade de adaptação.
Não foi uma vitória de celebração fácil. Foi uma vitória à imagem do percurso: trabalhada, sofrida e competitivamente madura.
Segue-se agora a Bélgica nos quartos-de-final. O grau de exigência sobe, mas Portugal chega lá com algo que não se ensina em treinos curtos: história, identidade e capacidade de sobreviver ao caos.
Figura do Jogo — Rúben Góis
Decisivo no momento-chave do encontro, apareceu no segundo poste para marcar o golo da vitória e foi uma ameaça constante na segunda parte. Presença física, critério e impacto direto no desfecho da partida.
Portugal segue em frente.
A Bélgica espera.
E este jogo deixa um aviso claro: ganhar bonito ajuda — ganhar na adversidade decide torneios.