Ser Portugal até ao fim: Jorge Braz e a última etapa do caminho europeu



Na antevisão à final do UEFA Futsal EURO 2026, Jorge Braz voltou a oferecer uma leitura longa, densa e profundamente alinhada com aquilo que tem sido o seu discurso ao longo de todo o ciclo da Seleção Nacional. Um discurso sem artifícios, sem dramatizações, onde a palavra final é quase desvalorizada para que o essencial não se perca: o processo, a identidade e a clareza mental.

O selecionador começou por desmontar uma ideia recorrente em contextos de decisão. Do ponto de vista mental, explicou, jogar uma final é mais fácil do que parece. Não porque seja menos exigente, mas porque tudo o que havia para construir já foi feito antes. Não há grandes discursos motivacionais a acrescentar, nem estímulos artificiais a criar. A motivação está implícita no próprio contexto. O desafio, segundo Braz, é outro: perceber que, apesar de tudo o que envolve uma final, continua a ser apenas um jogo.

Um jogo com 40 minutos - que podem transformar-se em 50, ou terminar nos penáltis - mas um jogo na mesma. E é precisamente aí que reside a chave: não deixar que o peso simbólico da final afaste os jogadores das suas tarefas, das suas funções e daquilo que sabem fazer bem. Para Jorge Braz, quanto mais simples for a abordagem mental, maior a probabilidade de a equipa se manter fiel ao seu rendimento.

O selecionador revelou que a mensagem passada ao grupo, logo pela manhã, foi clara e direta. O percurso está feito. O caminho até à final exigiu muito mais esforço, muito mais desgaste emocional e muito mais consistência do que aquilo que agora falta cumprir. Construir o percurso, explicou, é sempre mais trabalhoso do que finalizá-lo. Portugal chegou ao fim desse caminho e sabe exatamente onde está.

Na sua metáfora recorrente, a equipa já atingiu o topo da montanha. Não é uma imagem retórica: é uma leitura objetiva do processo. O mais difícil foi chegar lá acima. Agora, falta apenas um gesto - simbólico e competitivo - que é colocar a bandeira de Portugal no topo. Um gesto difícil, reconheceu, porque implica vencer um grande adversário, mas um gesto que faz parte da ambição deste grupo.

Jorge Braz não escondeu a dimensão do desafio que Portugal terá pela frente frente à Espanha. Falou de uma das seleções mais organizadas do mundo, capaz de controlar todos os momentos do jogo, de variar estrategicamente sem perder identidade e de obrigar o adversário a competir num registo elevadíssimo. Mas foi precisamente isso que destacou como algo positivo: a Espanha vai empurrar Portugal para um registo onde gosta de estar.

Nesse sentido, o selecionador foi claro ao afastar a ideia de grandes mudanças ou de inputs excessivos. A preparação passa por olhar para a variabilidade espanhola - bola parada, transições muito fortes, situações de um para um - mas sempre com um princípio orientador: a decisão mais importante é a de Portugal. O foco está em como a equipa vai viver cada momento do jogo, como vai sentir o jogo, como vai reagir às diferentes janelas que se possam abrir.

Braz insistiu que a confiança está no que Portugal pode fazer. Acreditar no próprio jogo, reconhecer que haverá momentos de erro - porque eles existem sempre - mas garantir que a resposta será sempre dentro da identidade da equipa. Não há margem para pânico, nem para desvio. Há margem para errar, sim, mas com a obrigação de responder bem, juntos e no mesmo registo.

Num momento mais humano e consciente do contexto extradesportivo, o selecionador fez questão de abordar a situação vivida em Portugal devido ao mau tempo. Sublinhou que há coisas muito mais importantes do que um Campeonato da Europa e que a comitiva não é indiferente às dificuldades de tantas pessoas. Admitiu que, vivendo intensamente a competição, por vezes não se tem a real noção do impacto, mas que as imagens vistas sensibilizam e chocam. Se pudessem ajudar diretamente, disse, fá-lo-iam. Não podendo, fica pelo menos uma mensagem sentida de solidariedade.

Jorge Braz fechou a antevisão com a mesma serenidade com que a iniciou. O objetivo inicial era chegar à final - e isso está cumprido. Agora, a ambição é clara: fechar o percurso como todos querem, em primeiro lugar. Sem ruído, sem dramatismo, sem excessos emocionais. Há uma enorme vontade de que o jogo comece, porque é no jogo que tudo faz sentido.

Para o selecionador nacional, a final não se ganha com discursos. Ganha-se a ser Portugal, com lucidez, confiança e fidelidade absoluta ao caminho que trouxe a equipa até aqui.


Vídeos
Ricardinho anuncia o fim definitivo da carreira profissional em conferência histórica na Cidade do Futebol
Antonio Vadillo: o Arquiteto do Milagre Europeu no Futsal | Documentário
Os melhores golos da jornada 22 da Liga Placard
Os melhores golos da Jornada 20 da Liga Placard Futsal
Os melhores golos da jornada 19 da Liga Placard
Os melhores golos da jornada 22 da Liga Feminina Placard
Os melhores golos da Jornada 21 da Liga Feminina Placard
Os melhores golos da Jornada 20 da Liga Feminina Placard
Os melhores golos da jornada 18 da Liga Placard
Os melhores golos da jornada 17 da Liga Placard
Ficha técnica | Lei da transparência | Estatuto Editorial Politica Privacidade