Bruno Coelho, por dentro: “Sabemos que medalha queremos, mas isto só se ganha com cabeça fria”



Capitão de Portugal, Bruno Coelho voltou a colocar palavras exatas num momento que mistura emoção, memória e responsabilidade. Às portas da final do UEFA Futsal EURO 2026, o internacional português assumiu viver este jogo com a mesma ansiedade e nervosismo de quem o joga pela primeira vez, apesar de toda a experiência acumulada.

Bruno Coelho começou por enquadrar esta final numa dimensão muito pessoal. Oito anos depois de ter sido um dos protagonistas da decisão de 2018, na mesma Arena Stožice, garante que o tempo não retirou intensidade ao momento. Pelo contrário. Vive-o como um miúdo, com entusiasmo genuíno, feliz por estar novamente ali e profundamente satisfeito pelo trabalho desenvolvido — não apenas neste Europeu, mas ao longo de todo o ciclo recente do futsal português.

O capitão sublinhou que chegar a mais uma final é o reflexo de um caminho sustentado de crescimento e evolução. Um percurso que não se resume a um torneio, mas a vários anos de consistência, exigência e ambição. E é por isso que, apesar de Portugal já ter garantido uma medalha, o grupo sabe exatamente o que quer. “Sabemos bem qual é a cor da medalha que queremos”, assumiu, fazendo questão de acrescentar que esse desejo não pode nunca afastar a equipa da realidade do jogo.

Para Bruno Coelho, a chave está no equilíbrio. Ambição máxima, mas pés bem assentes no chão. Consciência plena da importância do momento, mas também da dificuldade do adversário. A Espanha, explicou, foi estudada ao detalhe. É uma seleção diferente, mais consistente, com um 1-4-0 mais dinâmico, capaz de colocar problemas constantes e de obrigar Portugal a estar no limite das suas capacidades.

Ainda assim, o capitão fez questão de reforçar que Portugal também tem argumentos fortes. A equipa sente-se confortável no mesmo sistema, é muito forte no jogo de pivô e tem demonstrado ao longo do torneio uma evolução clara, tanto coletiva como individual. Para Bruno Coelho, neste momento, o foco é simples: o mais importante é Portugal, aquilo que a equipa é capaz de fazer e a forma como responde aos diferentes cenários do jogo.

Sobre favoritismos, o discurso foi direto e sem rodeios: 50/50. Uma final tem sempre múltiplas nuances, momentos distintos e contextos que mudam rapidamente. Estar preparado para todos esses momentos é, para o capitão, decisivo. É aí que entra a maturidade da equipa, a capacidade de não se desorganizar emocionalmente e de manter a clareza nas decisões.

Bruno Coelho falou também da responsabilidade diária que sente enquanto jogador e capitão. Uma responsabilidade para consigo próprio, para com o selecionador, para com a Federação e para com todo o futsal português. Lutar pelo tricampeonato europeu, explicou, é um enorme motivo de orgulho, mas também um compromisso com o trabalho feito e com aquilo que esta geração pode acrescentar ao currículo coletivo.

Num plano mais emocional, o capitão não ignorou o contexto vivido em Portugal devido às tempestades recentes. Garantiu que a Seleção não está indiferente ao sofrimento de tantas pessoas e que uma eventual vitória terá um significado que ultrapassa o plano desportivo. “Se ganharmos, será também por essas pessoas que estão a passar dificuldades”, afirmou, sublinhando que o troféu seria dedicado não apenas ao grupo e às famílias, mas a todos os que atravessam momentos difíceis.

No final, Bruno Coelho deixou clara a forma como encara esta decisão: com orgulho pelo caminho feito, com enorme vontade de vencer, mas com a serenidade de quem sabe que finais não se ganham antes de começar. É preciso jogar, competir, sofrer e decidir bem. Tudo o resto - estatutos, memórias e favoritismos — fica fora da quadra.

Porque, como o próprio capitão deixou implícito, esta final joga-se com coração, mas ganha-se com cabeça.


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