Luz vive noite europeia memorável num dérbi decidido por Diego Nunes em cima da buzina.
O dérbi eterno subiu de patamar e entregou uma noite europeia à altura da sua dimensão. No Pavilhão Fidelidade, o SL Benfica venceu o Sporting CP por 4-3, num jogo decidido em cima da buzina por Diego Nunes, garantindo assim vantagem mínima na primeira mão dos quartos-de-final da UEFA Futsal Champions League. Como antecipado, tudo se decidiu nos detalhes — e o detalhe final foi encarnado.
O encontro começou com intensidade máxima. Logo no primeiro minuto, o Benfica ameaçou por Léo Gugiel, com Bernardo Paçó a responder com segurança. Do outro lado, Tomás Paçó obrigou o guardião encarnado a intervir com os pés após lance estudado em bola parada. O ritmo era elevado e as transições surgiam com perigo.
O Sporting explorava bem o guarda-redes subido, enquanto Alan Guilherme criava dificuldades no duelo individual. Aos 12 minutos, um erro na saída encarnada quase deu vantagem aos leões, mas Lúcio protagonizou corte decisivo sobre a linha de golo, evitando o primeiro da noite.
O equilíbrio manteve-se até aos 15 minutos, altura em que o Sporting desbloqueou o marcador. Livre lateral cobrado por Merlim, Bruno Pinto aparece ao segundo poste e faz o 0-1, num lance mal defendido pela estrutura encarnada.
A reação do Benfica não tardou. Diego Nunes assumiu protagonismo na ala direita, desmontando a defesa leonina. Aos 18’, o brasileiro voltou a desequilibrar e serviu Jacaré, que desviou para o fundo das redes, estabelecendo o 1-1 antes do intervalo.
A segunda parte manteve o mesmo registo competitivo. O jogo tornou-se mais físico, com várias interrupções por assistência médica, mas o equilíbrio permaneceu. Aos 28 minutos surgiu novo momento-chave: livre frontal para o Sporting, Merlim remata direto e faz o 1-2, beneficiando de abertura na barreira encarnada.
O Benfica voltou a responder. Aos 31’, construção paciente iniciada por Léo Gugiel, André Coelho liga com Higor, que roda e encontra Arthur, que de pé esquerdo restabelece o 2-2.
Mas a resposta leonina foi imediata e de grande qualidade. Zicky, com rotação perfeita sobre André Coelho e Jacaré, dispara rasteiro para o 2-3, num lance de classe individual que voltou a colocar o Sporting na frente.
O dérbi entrou então numa fase emocionalmente intensa. Aos 33 minutos, reposição lateral trabalhada por Pany, combinação com Higor e Raul Moreira surge para fazer o 3-3, devolvendo o empate à eliminatória.
Nos minutos finais, as duas equipas tiveram oportunidades claras. Bernardo Paçó voltou a brilhar com intervenções decisivas perante Diego Nunes e Carlinhos. Do outro lado, André Correia também respondeu a remates perigosos, enquanto o Sporting atingia a quinta falta a menos de um minuto do fim.
Quando tudo apontava para igualdade na primeira mão, surgiu o momento decisivo. Bernardo Paçó lança longo para a área encarnada, Higor ganha de cabeça, Arthur serve Diego Nunes na esquerda e o brasileiro finaliza para o 4-3 em cima da buzina.
Explosão na Luz. Vantagem mínima, mas preciosa.
Foi um triunfo sofrido, intenso e emocional do SL Benfica, que demonstrou capacidade de reação nos momentos de desvantagem e frieza no instante decisivo. A equipa de Cassiano Klein soube sofrer, respondeu sempre aos golos do rival e acreditou até ao último segundo.
Já o Sporting CP, apesar de duas vezes em vantagem e de uma exibição competitiva de elevado nível, acabou por pagar caro pequenas falhas defensivas e a incapacidade de gerir o último lance do encontro.
A figura da partida foi Diego Nunes, decisivo na construção ofensiva e autor do golo da vitória no derradeiro instante, marcando a diferença num clássico europeu que promete novo capítulo no Pavilhão João Rocha.
A eliminatória segue em aberto, mas a vantagem está, para já, na Luz.
Foto - ruipereiraphotography