Gonçalo Sobral: "Têm de perceber o que é representar este clube"



Capitão do Quinta dos Lombos faz o balanço da descida à II Divisão, explica a decisão de renovar e olha já para o desafio da próxima temporada

O capitão do Quinta dos Lombos, Gonçalo Sobral, quebrou o silêncio sobre a descida à II Divisão e fez o balanço de uma das épocas mais dolorosas da história recente do clube de Carcavelos. Em entrevista ao jornal O Jogo, conduzida pelo jornalista João Fernando Vieira, o fixo internacional português, de 30 anos, abordou o desfecho dramático do campeonato, a decisão de renovar contrato e o que se avizinha na próxima temporada — declarações que a Zona Técnica Futsal reproduz na íntegra pela sua relevância para o panorama do futsal nacional.

O fim da fase regular da Liga Placard deixou uma ferida profunda no Quinta dos Lombos. Depois de 11 épocas consecutivas entre os grandes do futsal português, a equipa de Carcavelos não conseguiu evitar a descida à II Divisão, num desfecho confirmado apenas na última jornada e vivido com um misto de incredulidade e desilusão no balneário.

"É muito difícil pôr isto em palavras…", admitiu o capitão ao O Jogo, ainda a tentar digerir o momento. "Passámos praticamente toda a época fora da zona de descida, sentimos que tínhamos o nosso destino controlado, e depois tudo se decide na última jornada. É um choque muito grande, fica mesmo marcado."

Para Gonçalo Sobral, a queda ganha um peso ainda maior por tudo aquilo que o clube representa na sua vida. "Isto não é só um clube onde trabalho. Já são muitos anos aqui, sinto isto como uma casa. Quando é assim, estas coisas doem de outra maneira. Não é só o resultado, é tudo o que isso envolve", sublinhou o internacional português, que veste a camisola do Quinta dos Lombos há nove anos.

Na análise à temporada, o capitão não fugiu à responsabilidade coletiva e apontou falhas internas que acabaram por ser decisivas. "Faltou mais exigência no dia a dia, mais rigor e mais consistência. Houve momentos em que devíamos ter sido mais fortes mentalmente. E também houve fases em que faltou liderança, é a realidade", reconheceu nas páginas do O Jogo.

A descida à II Divisão acarreta efeitos evidentes para o projeto, desde logo na competitividade e na capacidade de atrair jogadores. "É diferente tudo. A Liga Placard é onde todos querem estar. Isso sente-se na qualidade dos jogadores, nos objetivos, na visibilidade do clube. Mas o Quinta dos Lombos tem dimensão para voltar rapidamente", afirmou.

Apesar do desfecho, o capitão decidiu manter-se no clube, numa altura em que poderia ter seguido outro caminho. "Nem pensei muito, renovei logo. Tenho uma ligação forte e sinto que posso ajudar a dar a volta", explicou ao jornal portuense.

Com a nova realidade já assumida, o discurso interno aponta de forma clara para o regresso imediato ao convívio dos grandes. "O objetivo tem de ser a subida, já. Não vale a pena esconder. Mas isso não se conquista com palavras, conquista-se com trabalho", avisou o fixo, que reconhece o peso acrescido da responsabilidade na próxima época. "Tenho de dar o exemplo, dentro e fora da quadra. Quem cá estiver tem de perceber o que é representar este clube", sublinhou.

E deixou uma nota final sobre a missão que se avizinha. "Será o maior desafio da minha carreira. Mas também pode ser um dos mais bonitos, se conseguirmos voltar a colocar o Quinta dos Lombos onde merecem estar", rematou em declarações ao O Jogo.


Quatro jogadores seguiram o capitão e renovaram

O Quinta dos Lombos começa a preparar a próxima temporada e, depois de ter anunciado a renovação do capitão Gonçalo Sobral, confirmou mais quatro extensões de contrato no plantel principal. A continuidade de vários dos seus principais ativos chegou a ser uma incógnita após a descida, mas o clube tem vindo a assegurar peças importantes do grupo.

Depois de Sobral ter sido o primeiro a dar o passo em frente e prolongar o vínculo, apesar da queda à II Divisão, também Milton Dias, Tiago Pinto, Fábio Lima e Duarte Ganhão não viraram a cara à luta e decidiram continuar ligados ao projeto. O clube garante, assim, uma base sólida para atacar a nova época.


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