Antevisão das meias-finais da Liga Placard, por António Aires
As quatro equipas que chegam a estas meias-finais fizeram-no de forma inteiramente meritória. Numa fase onde já não existem adversários acessíveis nem vitórias construídas apenas pelo estatuto, todas tiveram de competir seriamente para garantir presença entre os 4 melhores.
Há, porém, um dado que merece reflexão: desde a temporada 2022/23 os protagonistas do futsal português, chegados a esta fase, mantêm-se os mesmos. Este é o quarteto que busca um lugar ao sol na final do campeonato.
O Benfica afastou o Eléctrico, equipa sempre muito competitiva, intensa e tacticamente desconfortável, sobretudo em jogos de play-off. Os encarnados acabaram por se impor. O Sporting confirmou o favoritismo diante do Torreense. Um adversário que se apresentou sempre agressivo e competitivo. Os Leões de Porto Salvo eliminaram de forma serena o Rio Ave. A equipa de Cláudio Moreira voltou a demonstrar enorme identidade colectiva, compromisso defensivo e maturidade nos momentos de maior pressão. Já o Braga teve provavelmente o percurso mais desgastante até estas meias-finais. Os arsenalistas precisaram de disputar os três jogos da eliminatória para conseguirem superar um Zêzere guerreiro, com enorme disponibilidade física e emocional nos três jogos. A equipa dos achigãs valorizou profundamente a passagem da formação de Joel Rocha, obrigando o Braga a competir no limite.
LEÕES DE PORTO SALVO vs BENFICA
O Benfica entra nesta meia-final com favoritismo claro. Venceu de forma inequívoca a fase regular, e apresenta conquistas, como a taça da liga e a taça de Portugal, que são o cartão-de-visita de todo o seu poderio. No entanto, os leões de Porto Salvo vão em busca de vincar a sua posição e demonstrar que este projeto, sustentado no tempo, merece uma presença na final e lutar pelo ceptro do campeonato. Quem vai controlar o jogo? Os seus momentos? Uma análise mais fria, permite vislumbrar que os encarnados continuam a alternar momentos de domínio absoluto com fases de desconexão competitiva. E contra uma equipa como os Leões de Porto Salvo isso pode tornar-se perigoso, sobretudo considerando o factor casa e a classe de certos jogadores como Ruan Silvestre e Anderson Fortes. É verdade que a equipa de Claudio Moreira não tem o talento individual do Benfica, mas tem algo que muitas equipas grandes subestimam: identidade competitiva muito consolidada. Os Leões sabem que caminho trilhar para complicar a vida aos encarnados. Numa eliminatória destas, os Leões precisam quase de perfeição: A equipa da Cassiano deve estar preparada sofrer sem entrar em ansiedade. Porque mérito seja dado ao seu treinador, que criou uma identidade própria, um modelo que se consolidou, ofensiva e defensivamente na presente temporada, onde sobressai as suas conexões na posse de bola, com uma enorme variabilidade de soluções, bem como engenho e arte para “destruir” e desmontar os adversários. Acredito, se o Benfica marcar cedo vai obrigar Porto Salvo assumir riscos, e aí a eliminatória pode rapidamente desequilibrar-se. Panny chega, nesta fase, no seu melhor momento da época. Arthur e Diego Nunes continuam a revelar-se decisivos, quando alguém tem que chamar a si as responsabilidades: por fim Leo Gugiel é defensivamente um murro intransponível e um construtor ofensivo felino e decisivo.
SC BRAGA vs SPORTING CP
A equipa arsenalista chega a esta fase, apesar de uma época de altos e baixos, aquém dos pergaminhos demonstrados em épocas anteriores. Não marcou presença nas fases finais da taça de Portugal e da Liga. Contudo está nas meias-finais do campeonato. Vai ter que ser uma equipa racional. O mestre Joel Rocha gosta destas partidas. É um estratega em potencializar o “status quo” dos seus homens. Vai ter que municiar uma equipa guerreira estrategicamente mais paciente, se quiser dificultar a vida ao campeão europeu. Espero um Sporting extremamente competitivo. A equipa de Nuno Dias continua a ter aquilo que mais nenhuma equipa em Portugal possui de forma tão consistente: a capacidade de controlar ritmos, maturidade táctica, pressão agressiva organizada e essencialmente uma cultura competitiva absolutamente consolidada. Na essência esta é a matriz do leão. Detalhes, decisões sobre fadiga e gestão emocional pode pesar nos pratos da balança, no que concerne ao resultado final, desta primeira partida.
Concluindo, estas meias-finais prometem intensidade máxima, pressão constante e ambientes absolutamente eletrizantes. O play-off transforma completamente o jogo: cada erro amplifica-se, cada detalhe pesa e cada decisão pode mudar uma época inteira.
E há ainda um dado importante: a utilização do VS (Video Support) nos play-offs continua a acrescentar uma dimensão extra de rigor, tensão e dramatismo competitivo. Hoje, um lance revisto pode redefinir emocionalmente um jogo inteiro.
Comecem os jogos. Salte a bola.
Viva, o Futsal.