Noite mágica em Fafe leva a final ao quinto jogo



O GCR Nun'Álvares protagonizou uma exibição de gala e venceu o SL Benfica por 5-1, num Jogo 4 que tinha tudo para ser de festa encarnada e acabou por se transformar numa noite mágica para a formação de Fafe. As condestáveis travaram o título do Benfica — que se sagraria campeão nacional em caso de vitória — e empurraram a final para um quinto e decisivo jogo. Num pavilhão ao rubro, e ao 48.º duelo entre os dois clubes, o Nun'Álvares conseguiu algo inédito: foi a primeira vez que marcou cinco golos ao Benfica.

A partida foi precedida de momentos de forte simbolismo, com um minuto de silêncio em homenagem a um jovem jogador de 17 anos falecido nessa tarde e a justa homenagem a Ana Azevedo pelos 100 jogos ao serviço das condestáveis. Era o nono embate da época entre as duas equipas, repartido por quatro competições diferentes, num histórico equilibradíssimo que prometia mais um capítulo intenso. E assim foi.

O arranque em Fafe foi frenético, com as bancadas a empurrarem a equipa da casa. Ao terceiro minuto, o Benfica avisou primeiro, com Ana Oliveira a rematar pela esquerda para a malha lateral, mas a resposta do Nun'Álvares não tardou. Volvido um minuto, numa jogada de entendimento pela direita entre Kaká e Camila, a fixo apareceu em zona frontal para fuzilar Ana Catarina e inaugurar o marcador: 1-0.

O golo deu asas às anfitriãs e, logo a seguir, Ana Azevedo surgiu sem marcação ao segundo poste, mas falhou o tempo de remate e viu Ana Catarina cortar o lance. O Benfica, contudo, reagiu com eficácia numa bola parada. Aos 7 minutos, num canto à esquerda, Raquel Santos descobriu Janice Silva ao segundo poste e a internacional, fiel à sua veia goleadora, só teve de encostar para o empate: 1-1.

O equilíbrio instalou-se e as ocasiões sucederam-se nos dois sentidos. Aos 8 minutos, Jana teve o 2-1 nos pés mas atirou ao lado, na melhor oportunidade desta fase. O jogo viveu então um período de interrupções: Janice acusou queixas físicas e, perto dos dez minutos, Ana Catarina abandonou a quadra após um choque que obrigou a assistência médica, entrando Xana para a baliza encarnada. A guardiã titular regressaria pouco depois, ao minuto 11.

A meio da primeira parte, o Benfica esteve perto de dar a volta. Bruna Carolina encheu o pé após um canto e quase batia Júlia Melz num desvio traiçoeiro, enquanto, do outro lado, Dinha arriscava sem pontaria e Ana Azevedo, ao minuto 15, ficava a centímetros de desviar para o fundo das redes. Janice ainda protagonizou uma jogada individual fantástica, mas Júlia Melz fechou bem o primeiro poste.

Quando o intervalo parecia chegar com o empate, a formação da casa voltou a ferir. Já em tempo de descontos da primeira parte, numa rotação rápida, Dinha atraiu a marcação à esquerda e soltou para Jana, que, com o pé menos forte, serviu Ana Azevedo ao segundo poste para a capitã, em noite de festa pessoal, devolver a vantagem ao Nun'Álvares: 2-1 ao apito para o intervalo.

O reatamento trouxe o melhor momento da noite. Logo no arranque do segundo tempo, Dinha obrigou Ana Catarina a um grande voo, prenúncio do que aí vinha. Ao minuto 24, Lídia Moreira assinou um golo de outro mundo: recebeu à entrada da área e, sem hesitar, armou um pontapé de bicicleta ao ângulo que só parou no fundo das redes, um autêntico hino ao futsal — 3-1. E, em menos de um minuto, a camisola 5 transformou-se em assistente: descobriu Jana, que ampliou para 4-1, num ápice que colocou em sentido um Benfica até então apático perante o ímpeto da casa.

Atordoadas, as águias tentaram esboçar uma reação. Pelos 26 minutos, Ana Azevedo isolou-se mas Ana Catarina levou a melhor, e Dinha, ao minuto 31, obrigou a guardiã encarnada a nova grande defesa. A resposta do Benfica chegou na aposta no risco: aos 33 minutos, com Fifó a assumir funções de guarda-redes avançada, a equipa passou a jogar em 5x4 na tentativa desesperada de relançar o jogo. O Nun'Álvares, porém, defendeu o 5x4 com enorme critério e ainda ameaçou de uma área à outra.

A insistência das condestáveis acabaria premiada. Aos 37 minutos, e depois de Ana Oliveira ter rematado cruzado muito perto do poste de Júlia, Ana Azevedo serviu Lídia Moreira, que, no cara a cara, não facilitou e bisou na partida para o numantino 5-1. Estava feita história em Fafe.

Os instantes finais ainda guardaram emoção. Com Maria Odete Rocha a entrar para os últimos dois minutos, o Benfica reclamou e obteve, ao minuto 40 e após análise do Vídeo Suporte, uma grande penalidade sobre Maria Pereira. Da marca dos seis metros, porém, Fifó falhou e Maria Odete Rocha brilhou na defesa, fechando com chave de ouro uma noite perfeita para as anfitriãs. Pouco depois soou o apito final.

Foi um triunfo rotundo e absolutamente merecido do GCR Nun'Álvares, que entrou por cima, soube sofrer no momento de equilíbrio e, no segundo tempo, foi avassalador na eficácia e na inspiração das suas figuras de proa. Já o SL Benfica, candidato ao título e com o troféu ao alcance, pagou caro a passividade defensiva e a incapacidade de travar os lances individuais das adversárias, falhando ainda a grande penalidade que poderia ter dado outro tom ao resultado. A decisão fica agora adiada para o quinto e último jogo, onde as águias procurarão o seu oitavo título da prova e o Nun'Álvares sonhará com uma reviravolta histórica.

Figura do Jogo: Lídia Moreira (GCR Nun'Álvares)

Não há qualquer discussão. A camisola 5 foi a grande arquiteta da noite, com dois golos — um deles um inacreditável pontapé de bicicleta ao ângulo — e uma assistência decisiva. Lídia desbloqueou o jogo no momento em que o equilíbrio ameaçava instalar-se e arrastou as bancadas de Fafe numa exibição que ficará na memória. Foi a jogadora que mais pesou no desfecho e a principal responsável por levar a final ao derradeiro capítulo.

Foto - sgil_sports


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