“Não houve magia”: Nuno Dias revela o segredo por detrás da resposta leonina




O Sporting respondeu à derrota no primeiro jogo da final da Liga Placard com uma goleada por 8-2 sobre o Benfica, mas no final da partida Nuno Dias procurou relativizar o impacto do resultado, sublinhando que a eliminatória continua empatada e que o objetivo continua a ser apenas um: conquistar o título nacional.

Para o treinador leonino, a importância da vitória está no facto de ter evitado que a equipa ficasse numa situação muito complicada na final.

“A importância é que se não tivéssemos ganho estávamos a perder 2-0. Ficávamos a uma vitória de perder e tínhamos de fazer mais três vitórias. É importante a vitória, é importante a exibição, não só pelos números mas pela qualidade que colocámos na maior parte do jogo.”

Apesar dos oito golos marcados, Nuno Dias considerou que a diferença entre o primeiro e o segundo jogo da final esteve essencialmente na eficácia, até porque o Sporting voltou a criar muitas oportunidades.

“A eficácia na primeira parte foi ao nível do que fizemos no jogo 1. O número de oportunidades que criámos foi ao nível do que fizemos no jogo 1, na quantidade de vezes que tivemos na cara do guarda-redes e em situações claras para finalizar. Se tivéssemos marcado, o resultado ao intervalo teria sido bem mais dilatado do que aquele que estava, 2-1.”

Quando questionado sobre o que mudou em apenas três dias, o técnico foi perentório.

“Não houve aqui nenhuma magia. Não fizemos nada extraordinário de sexta até hoje. Não houve aqui nenhuma forma mágica para marcarmos mais golos do que tínhamos feito.”

Na sua análise, a melhoria surgiu sobretudo da forma como a equipa lidou emocionalmente com o desenrolar da partida.

“Acho que com o avolumar do resultado conseguimos tornar-nos menos ansiosos e mais frios. Procurámos melhor a finalização, procurámos melhor o colega, procurámos a melhor situação para finalizar. Mesmo assim continuámos a desperdiçar, mas fizemos bastante melhor.”

Questionado sobre a capacidade da equipa para continuar a atacar mesmo depois de construir uma vantagem confortável, Nuno Dias apontou para a identidade competitiva do Sporting.

“Isso é ADN nosso, é a nossa maneira de ser.”

O treinador recordou ainda que essa postura foi uma constante ao longo da temporada.

“Por isso é que fomos a equipa com mais golos marcados na Liga, com mais de 42 golos marcados do que a segunda equipa com mais golos marcados. Porque fomos sempre à procura de mais, fomos sempre à procura de fazer mais golos, mais finalizações, mais ataques.”

E reforçou:

“Não nos limitamos a gerir posses e a gerir resultados. Queremos mais, fomos à procura de mais.”

Nuno Dias justificou ainda essa filosofia com aquilo que entende ser o respeito devido aos adeptos e ao espetáculo.

“Achamos que quem vem ver o jogo e os nossos adeptos merecem isso. Quem assiste ao futsal merece que as equipas joguem também desta forma, que passem para fora uma alegria de jogo e uma procura constante daquilo que é o resultado.”

O treinador leonino destacou também a forma como a equipa reagiu depois da derrota sofrida no primeiro encontro da final e às dificuldades encontradas ao longo do jogo.

“Quando as equipas encontram posições desvantajosas e conseguem ultrapassar essas dificuldades é sinal de que são fortes, que estão confiantes naquilo que é o trabalho, que acreditam naquilo que fazem.”

E acrescentou:

“Diz-nos que é uma equipa experiente, diz-nos que é uma equipa com capacidade de reação e que acredita naquilo que faz.”

Questionado sobre o facto de este ter sido o 100.º dérbi frente ao Benfica da dupla técnica formada por Nuno Dias e Paulo Luís, o treinador preferiu retirar protagonismo à marca histórica e recentrar o foco no objetivo da época.

“Hoje foi um dia bom, independentemente do número, seja o 100, seja o 101, seja o 99.”

Para o técnico leonino, os números apenas ganham relevância quando estão associados às conquistas alcançadas.

“Vitórias e números em jogos só são importantes porque refletem, se calhar, muitas conquistas e muitas boas exibições. Mas acima de tudo, conquistas.”

Apesar de ter alcançado a vitória mais expressiva da história dos dérbis entre Sporting e Benfica no futsal, Nuno Dias recusou atribuir significado especial ao resultado.

“Se eu preferia ganhar 8-2 ou 3-2? Preferia ganhar 8-2. Agora, infelizmente, um resultado destes só dá uma vitória e não dá mais. O 8-2 ou o 3-2 apenas dá uma vitória e apenas iguala a eliminatória.”

O técnico reconheceu que a exibição reforça a confiança da equipa, mas insistiu que nada está decidido.

“Dá-nos uma confiança enorme naquilo que fazemos e no trabalho que fazemos. Permite-nos acreditar que aquilo que fazemos é bem feito e que, se melhorarmos alguns aspetos, podemos fazer bons resultados.”

Por fim, voltou a recentrar todas as atenções na conquista do campeonato, deixando claro que nem a goleada nem a marca dos 100 dérbis terão significado se o Sporting não vencer a final.

“A primeira coisa é ganhar a final. O título, o troféu, isso é o que nos alimenta e é para isso que nós trabalhamos.”

E concluiu:

“O mais importante mesmo é que, se no final da temporada não ganharmos o último jogo, isto não vai valer de nada. Se ganharmos o último jogo vamos ser campeões, mas até lá ainda temos muito caminho para percorrer. Neste momento estamos empatados e continua tudo em aberto.”

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