Nuno Dias: "Fomos mais competitivos, unimo-nos na dificuldade e o João Rocha empurrou-nos para a vitória"
O treinador do Sporting CP, Nuno Dias, destacou a capacidade de reação da equipa na vitória por 3-2 sobre o SL Benfica, resultado que levou a final da Liga Placard para um quinto e decisivo jogo. Na conferência de imprensa, o técnico leonino considerou que a primeira parte foi a pior do Sporting nesta final, explicou as alterações feitas ao intervalo e deixou uma sentida homenagem a João Matos, que se despediu do Pavilhão João Rocha.
Nuno Dias começou por reconhecer a superioridade do Benfica durante grande parte da primeira parte.
“Só dessa forma é que parecia impossível hoje conseguirmos vencer, porque ao nível do jogo jogado, principalmente nos últimos sete ou oito minutos da primeira parte, considero que o Benfica foi melhor e podia ter chegado ao intervalo com um resultado melhor do que aquele com que chegou. Apesar de nós termos tido três bolas no poste, acho que esta foi talvez a pior primeira parte, ou os piores 20 minutos do Sporting nestes quatro jogos.”
O treinador explicou que a mudança surgiu sobretudo ao nível da atitude e dos comportamentos.
“Ao intervalo rectificámos algumas coisas, mas não teve a ver com aspetos técnico-táticos. Teve a ver com posturas e comportamentos. Na maior parte das vezes é isso que faz a diferença. Chegar um bocadinho mais cedo, pressionar a bola com maior agressividade, encurtar distâncias, roubar e sair em contra-ataque. Estávamos demasiado macios e queríamos jogar onde não devíamos, no início da construção, perdendo muitas bolas e oferecendo situações perigosas. Há momentos em que o jogo tem de ser mais direto.”
Na segunda parte, o Sporting apresentou outra imagem.
“A atitude melhorou, fomos mais competitivos, lutámos, superámo-nos na dificuldade, os jogadores uniram-se e tivemos um sexto e sétimo jogador na bancada que nos ajudaram quando as coisas não estavam boas. É nesse aspeto que o João Rocha é fabuloso.”
Apesar de admitir que não foi uma exibição brilhante, valorizou a entrega da equipa.
“Não foi um grande jogo da nossa parte, mas foi um grande jogo ao nível da entrega, da superação e da união do grupo, que na dificuldade conseguiu superar-se.”
Questionado pela Zona Técnica Futsal sobre a melhoria da eficácia e da ligação ao pivô na segunda parte, respondeu:
“A eficácia é um aspeto importante do jogo. Quanto mais eficazes as equipas forem, mais probabilidades têm de vencer. Hoje ainda desperdiçámos algumas oportunidades, mas na segunda parte melhorámos acima de tudo a ligação aos pivôs. Fomos mais objetivos, começámos a correr nas costas em vez de dar apenas apoios, apoiámos melhor os pivôs e conseguimos ligar mais vezes o jogo com eles. Melhorámos também a atitude defensiva, fomos mais fortes nos duelos e a resposta do Bruno Maior foi absolutamente extraordinária. Não joga tantas vezes, mas hoje foi chamado e ajudou-nos bastante, tanto na defesa como no 5x4.”
Sobre o quinto jogo, reconheceu que as limitações físicas dificultam a tarefa.
“Quando menos opções tivermos, mais difícil fica. Vai ser sem Zicky, já foi sem Wesley, mas será com cinco de cada vez e mais uma vez dentro deste espírito competitivo e destes comportamentos adequados ao que o jogo exige.”
Nuno Dias aproveitou ainda para deixar uma reflexão sobre o tratamento dado ao pivô leonino.
“Façam essa análise. Vejam como é que o Zicky acaba esta final. É se calhar o pivô com mais faltas cometidas na Liga e provavelmente dos pivôs com menos faltas sofridas. Acham possível um jogador como o Zicky ser dos que mais faltas faz e dos que menos faltas sofre? Eu acho estranho, da maneira como ele joga e da quantidade de situações de que é alvo.”
O momento mais emotivo da conferência surgiu quando falou de João Matos, que realizou o último jogo da carreira no Pavilhão João Rocha.
“O João Matos, quando eu entrei para o Sporting, já cá estava. É um capitão, uma figura incontornável. Quantos jogadores no mundo têm tantos títulos como o João? E a quantidade de jogos que fez no Sporting e nunca saiu do Sporting?”
Para o treinador leonino, só existe uma forma de fechar a carreira do capitão.
“A melhor maneira de terminar isto era com o título de campeão nacional. Era a melhor forma de terminar uma carreira absolutamente extraordinária, a todos os níveis.”
“O João está de parabéns pela carreira que fez, pela forma como esteve sempre neste clube, pelos títulos, pelo empenho que colocou. Vejam no mundo quantos jogadores têm o número de títulos que o João tem e o número de jogos pelo mesmo clube. Vai-nos deixar saudades, certamente. Para ele, os meus parabéns por uma carreira espetacular, ímpar. A melhor maneira de coroar isto é terminarmos no domingo com o título de campeão nacional.”
Já sobre a recuperação para o derradeiro encontro, explicou que pouco há a acrescentar do ponto de vista tático.
“Neste tipo de jogos tudo conta. Estamos a fazer cinco jogos em duas semanas. Agora já não há muito a fazer. Há que recuperar ao máximo e tentar colocá-los fisicamente da melhor maneira possível para conseguirem correr no domingo e ajudar-nos a fazer um bom resultado.”
Por fim, voltou a explicar o que mudou na segunda parte.
“Em termos ofensivos, melhorámos a forma como a bola chegou ao pivô e como o apoiámos. Na primeira parte estávamos a mastigar demasiado o jogo. Na segunda fomos mais objetivos, começámos a ligar com menos toques, a correr nas costas e a aparecer para ajudar. Em termos defensivos, começámos a estar mais próximos do portador da bola, incomodámos mais a progressão do Benfica e limitámos melhor o ataque deles. Principalmente esses dois aspetos, um ofensivo e outro defensivo, foram aqueles em que mais melhorámos e que nos dão algum gozo pela forma como conseguimos alterar essa postura.”