Pedro Catita disseca o Jogo 5 da Final: o estudo completo da "Negra" da Liga Placard
A grande "Negra" da Final da Liga Placard 25/26 entre SL Benfica e Sporting CP dá-se este domingo, 28 de junho, às 20h00, no Pavilhão Fidelidade, com lotação esgotada. Para preparar este encontro absolutamente decisivo, o comentador do Canal 11, Pedro Catita, partilhou um conjunto de dados estatísticos verdadeiramente impressionantes que ajudam a compreender a dimensão competitiva do que está em jogo. A Final tem sido marcada por um equilíbrio absoluto, com 139 dos 170 minutos jogados (82% do tempo) a serem disputados com o marcador dentro da margem mínima de um golo. Tem havido também uma diversidade ofensiva extraordinária, com 16 marcadores diferentes nos 28 golos apontados, e a estatística histórica aponta para precedentes muito interessantes a observar para esta noite.
Dos 170 minutos de jogo já disputados na Final, o Sporting CP esteve em vantagem em 31 minutos (18 minutos com 3 ou mais golos de diferença, 3 minutos com diferença de 2 e 10 minutos com diferença de 1). O SL Benfica esteve em vantagem em 75 minutos (65 minutos com diferença de 1 e 10 minutos com 2 golos de diferença). O empate vigorou em 64 minutos, o que equivale a 38% de toda a Final. Curiosamente, o SL Benfica nunca teve mais de 2 golos de vantagem ao longo dos quatro jogos disputados, e apenas o Jogo 2 ditou uma diferença superior a 2 golos (com a histórica goleada por 8-2 do Sporting CP).
A distribuição dos 28 golos da Final revela também uma enorme diversidade ofensiva e tática. 12 golos foram apontados em bola corrida, 9 golos em esquemas táticos (1 de canto, 3 de pontapé livre lateral e 5 em livres com barreira), 1 em livre direto sem barreira (L10M) e 6 em situações de superioridade/inferioridade numérica. Apenas 4 dos 28 golos da Final (14%) nasceram do ataque organizado (3 do Sporting CP, 1 do SL Benfica), enquanto 8 golos (29%) chegaram em situação de contra-ataque (6 do Sporting CP, 2 do SL Benfica). Curiosamente, registaram-se mais golos em livres com barreira (5) do que em cantos e pontapés livres laterais somados (4), num claro sinal da qualidade do trabalho de bola parada das duas equipas.
No capítulo dos marcadores, o protagonismo coletivo é absoluto. Os 28 golos foram repartidos por 16 marcadores diferentes, 8 em cada equipa. Pelo SL Benfica (11 golos) marcaram Diego Nunes (3), André Coelho (2), Kutchy (1), Lúcio Rocha (1), Carlinhos (1), Higor (1), Arthur (1) e Jacaré (1). Pelo Sporting CP (17 golos) marcaram Pauleta (5), Tomás Paçó (3), Alex Merlim (2), Diogo Santos (2), Bruno Pinto (2), Zicky Té (1), Wesley (1) e Felipe Valério (1). O melhor marcador da Final é Pauleta, com 5 golos, seguido por Tomás Paçó e Diego Nunes, ambos com 3 golos. Os números mostram que nenhuma das equipas depende de uma única referência ofensiva, com múltiplas soluções capazes de decidir o título nacional.
Quanto à temporada 2025/2026 entre os dois rivais, contam-se já 10 dérbis disputados ao longo da época, com saldo perfeitamente equilibrado: 4 vitórias do SL Benfica, 2 empates e 4 vitórias do Sporting CP. Em termos de golos somados, o Sporting CP marcou 42 golos contra 32 do SL Benfica. Olhando à era Nuno Dias vs Cassiano Klein, desde 2024/25, contam-se já 19 dérbis disputados entre os dois técnicos, com 8 vitórias do Sporting CP, 6 empates e 5 vitórias do SL Benfica.
Em termos históricos, esta é a 21.ª edição do playoff da Liga Placard, prova em que SL Benfica e Sporting CP são as duas únicas equipas totalistas (sempre presentes desde a sua criação). Em 17 das 20 edições anteriores, o vencedor da fase regular acabou por se sagrar campeão. Em 18 das 20 edições anteriores, o vencedor do Jogo 1 conquistou o título nacional. 14 dos 20 playoffs anteriores ficaram 1-1 após o Jogo 2, cenário que se confirmou também na presente edição. 5 finais foram decididas no Jogo 5, e apenas 3 finais ditaram campeão em 3-0. Esta é a 16.ª final com dérbi, com saldo de 9 títulos para o Sporting CP e 6 para o SL Benfica nessas finais.
Um dos dados mais relevantes apontados por Pedro Catita prende-se com o fator casa nas finais. Desde que o formato passou a ser disputado no esquema C-F-C-F-C, com o segundo classificado da fase regular a ter mais um jogo em casa, registou-se uma percentagem absolutamente elevada: 70% de vitórias caseiras, um dado que reforça a importância do apoio dos adeptos no desfecho de jogos decisivos.
O encontro desta noite vai marcar também uma efeméride importante: será o 103.º dérbi de Nuno Dias e Paulo Luís no comando do Sporting CP. O primeiro dérbi da dupla técnica aconteceu a 6 de janeiro de 2013, com o Sporting CP a vencer por 4-2 o SL Benfica, em jogo da 12.ª jornada da Fase Regular 2012/13, disputado no Multiusos de Odivelas. João Matos disputou esse jogo, há 4920 dias (13 anos, 5 meses e 20 dias). Os golos foram marcados por Divanei (6'), Marcelinho (16'), Deo (24') e Pedro Cary (34') pelos leões, e Gonçalo Alves (2' e 35') pelos encarnados. Paulo Fernandes era o treinador do SL Benfica na altura.
No saldo dos 102 dérbis anteriores entre Nuno Dias e Paulo Luís, contam-se 50 vitórias do Sporting CP, 30 vitórias do SL Benfica e 22 empates, um registo absolutamente extraordinário para os dois técnicos verde e brancos. Frente a Cassiano Klein, já se contam 19 dérbis com saldo de 8 vitórias do Sporting CP, 4 empates e 7 vitórias do SL Benfica.
Por entre os números absolutos, importa também recordar que se disputaram já 159 dérbis entre Benfica e Sporting CP desde 23 de dezembro de 2001, ao longo de 25 épocas, numa média superior a 6 dérbis por época. Nunca um dérbi terminou 0-0 e o Sporting CP da era Nuno Dias (desde 2012/13) nunca ficou em branco frente ao SL Benfica. O SL Benfica não marcou em 6 desses dérbis, enquanto o Sporting CP não marcou em apenas 2.
A noite de hoje vai ditar o desfecho da Liga Placard 25/26, com o Sporting CP a procurar mais um título de Campeão Nacional na era Nuno Dias (9 títulos no currículo, já recorde absoluto) e o SL Benfica a sonhar com o bicampeonato. João Matos, jogador mais titulado da história da Liga Placard com 12 títulos, procura o 13.º cetro no que pode ser uma noite verdadeiramente histórica. Em 19 títulos do Sporting CP e 9 títulos do SL Benfica, conta o palmarés histórico do futsal nacional. O Pavilhão Fidelidade abre portas a partir das 20h00 e o futsal nacional para para assistir.