Gonçalo Mendonça: «Antes de serem atletas, são crianças»
Gonçalo Mendonça, coordenador do futsal de formação do Clube Recreativo Leões de Porto Salvo, defendeu a necessidade de preservar a infância no desporto, apelando a uma maior compreensão por parte de treinadores, pais, dirigentes e árbitros no acompanhamento das crianças durante a prática da modalidade.
Num artigo de opinião publicado em A BOLA, intitulado "A infância também entra em campo", o responsável lembra que, nos escalões de formação, as exigências dos adultos devem estar ajustadas à realidade das crianças.
"Num jogo de futsal para crianças deve existir espaço para que aconteçam muitas coisas que, mais tarde, numa fase mais avançada da vida, serão mais difíceis de aceitar. (...) Não estamos a falar de jovens nem de adultos. Estamos a falar de crianças."
Ao longo do texto, Gonçalo Mendonça recorda que comportamentos como distrações, brincadeiras ou momentos de espontaneidade fazem parte do processo natural de crescimento e não devem ser encarados como falta de compromisso.
"A entrada num campo não apaga a infância. Dentro ou fora dele, a criança continua a ser criança."
O coordenador defende que o principal papel dos adultos passa por educar em vez de apenas corrigir, privilegiando a explicação e a orientação em detrimento da punição imediata.
"O objetivo não deve ser apenas interromper um comportamento, mas contribuir para uma aprendizagem que faça sentido para quem ainda está a descobrir o jogo."
Na sua reflexão, Gonçalo Mendonça sublinha ainda a importância da paciência e do respeito pelo ritmo de desenvolvimento de cada criança, alertando para os riscos de criar expectativas incompatíveis com a idade dos praticantes.
O responsável do Leões Porto Salvo deixa também um apelo aos pais, defendendo que não devem sentir vergonha quando os filhos têm comportamentos naturais da infância durante os jogos, lembrando que muitas dessas situações serão, no futuro, recordadas com um sorriso.
A terminar, resume a ideia central do artigo com uma mensagem dirigida a todos os intervenientes na formação desportiva.
"O papel dos adultos não é transformar todas as crianças no mesmo modelo de jogador. É criar um ambiente onde cada uma possa crescer, aprender e descobrir o prazer de jogar sem deixar de ser quem é."
E conclui:
"Porque, antes de serem atletas, são crianças. (...) Talvez o verdadeiro desafio dos adultos seja nunca se esquecerem disso."