Dupla histórica: Portugal e Brasil defrontam-se nas finais Feminina e Masculina do Mundial Universitário de Futsal
O futsal universitário português vai viver um dos dias mais memoráveis da sua história esta terça-feira, com as duas Seleções Nacionais Universitárias de Portugal — Feminina e Masculina — apuradas para as respetivas finais do Campeonato Mundial Universitário de Futsal 2026, ambas frente ao Brasil. Um cenário absolutamente inédito e digno de assinalar, num dia absolutamente único que promete escrever páginas douradas no desporto nacional. As duas grandes finais realizam-se em Varsóvia e prometem emoções em altíssima voltagem para os adeptos portugueses.
A Seleção Nacional Universitária Feminina de Futsal, orientada por Luís Conceição e Ricardo Azevedo, garantiu a presença na final ao vencer a Alemanha por 3-0 na meia-final, num jogo em que dominou por completo o adversário. A formação portuguesa entrou de forma fulgurante, com Inês Couto a inaugurar o marcador logo aos 27 segundos com o seu primeiro golo pela Seleção Nacional. Depois de chegar ao intervalo a vencer por 1-0, Portugal dilatou a vantagem na segunda parte com golos de Inês Padinha (aos 18'01") e Laura Dias (aos 10'55"), fechando o marcador em 3-0. Um triunfo absolutamente convincente que confirmou o pleno de vitórias das Quinas Femininas ao longo do torneio (5 vitórias em 5 jogos).
Já a Seleção Nacional Universitária Masculina de Futsal, orientada por Pedro Palas e Luís Silva, garantiu a presença na final ao vencer a Chéquia por 8-4 num jogo bastante aceso, em que teve de "puxar dos galões" para se afirmar em quadra. Depois de uma primeira parte de altos e baixos — em que chegou a golear por 4-0 e a chegar ao intervalo a ganhar pela margem mínima —, a formação lusa foi mais incisiva na segunda metade e construiu um resultado absolutamente convincente. Tomás Silva, depois do bis apontado frente ao Líbano, apontou um hat-trick frente aos checos, num claro sinal do momento fantástico do ala. Gonçalo Paixão bisou também, enquanto Tiago Rodrigues, Abel Vaz e ainda um autogolo completaram a lista de marcadores portugueses.
Com este triunfo, a Seleção Nacional Universitária Masculina ganhou o direito de poder repetir o feito alcançado em 2008, em Koper, quando ergueu o troféu pela única vez na história do futsal universitário nacional. Um sonho absolutamente motivador que agora está a apenas um jogo de se concretizar, 18 anos depois dessa conquista histórica.
Em declarações no final da meia-final feminina, Inês Couto, autora do primeiro golo pela Seleção Nacional, mostrou-se emocionada: "O primeiro golo para mim foi muito especial porque é o meu primeiro golo por Portugal. É sempre bom marcar com esta equipa porque somos muito unidas e sinto sempre o apoio delas". Sobre o objetivo, foi convicta: "O nosso objetivo sempre foi ganhar o Mundial e acho que estamos preparadíssimas para ganhar. Sinto mesmo que estamos muito confiantes e vamos ganhar".
O selecionador Ricardo Azevedo apontou a defesa e a cabeça como as chaves para a final: "É não dar nada a defender e ter sempre a cabeça no lugar. Não deixar que o adversário no estilo de jogo, fisicamente, por contactos, nos tire do jogo; não deixar que os árbitros nos tirem do jogo (...) não deixar que a bancada nos tire do jogo. Temos de viver para nós. Amanhã temos de viver para nós".
Já do lado da Seleção Masculina, o técnico Luís Silva, que faz equipa com Pedro Palas, elogiou a resposta da equipa: "Fizemos um grande jogo. Pecámos apenas nos últimos cinco minutos da segunda parte, em que depois do golo do guarda-redes da Chéquia, ficámos nervosos e nunca mais nos conseguimos encontrar", afirmou, considerando que o intervalo ajudou a equipa a reorganizar-se: "Retificámos o que havia a retificar. E a segunda parte foi 'top'. Estamos onde merecemos estar.".
Sobre a falta de experiência da equipa, Luís Silva referiu que os jogadores têm um trunfo que ajuda a compensar. "Temos uma equipa bastante jovem, não sei se não é a mais nova do Mundial. E em alguns momentos a falta de experiência e maturidade pode surgir, mas temos uma entrega fabulosa, a qual consegue, muitas vezes, superar essa falta de experiência que, por vezes, acusamos", referiu. Sobre a final contra o Brasil, o técnico mostrou confiança absoluta: "Estamos na final, vamos jogar sem pressão. Temos de ser aquilo que temos vindo a ser ao longo da competição. Estou bastante confiante, os jogadores acreditam no processo e vamos dar tudo para sair vitoriosos".
Abel Vaz, autor do último golo de Portugal na meia-final, fez uma análise crua à partida: "Entrámos muito fortes no jogo, fizemos quatro golos de forma rápida e isso não fez muito bem à equipa. Não estivemos muito organizados a defender no 5x4. O intervalo fez-nos bem, foi aí que se viu a força da nossa equipa", disse, indicando que "a final com o Brasil será muito física e quem ganhar mais duelos individuais terá vantagem". E deixou um aviso: "Vamos tentar ganhar o troféu 18 anos depois e continuar a fazer história".
As duas grandes finais estão marcadas para esta terça-feira, 7 de julho, em Varsóvia, num dia absolutamente único para o futsal universitário nacional. Portugal joga a final feminina às 15h00 (hora de Lisboa) e a final masculina às 18h00 (hora portuguesa), num programa duplo que os adeptos portugueses vão acompanhar através de transmissão em direto no Canal 11. Um dia que promete entrar para a história do desporto português.