Portimonense domina Gejupce e transforma teste num laboratório competitivo
O Portimonense venceu o Gejupce por 10-2, num encontro de preparação disputado perante casa cheia, com cerca de 300 pessoas nas bancadas e uma claque de aproximadamente 25 elementos a dar ambiente de competição ao pavilhão. Mais do que a diferença no marcador, o jogo serviu para perceber algumas das primeiras ideias da equipa algarvia: pressão alta após o primeiro passe adversário, alternância entre 1:3:1 e 1:4:0 dinâmico, utilização frequente do pivot e muito trabalho coletivo tanto em bola corrida como nas situações de bola parada.
O Gejupce ainda surpreendeu ao chegar primeiro ao golo, num lance que não foi possível observar em detalhe, mas a vantagem teve pouca duração. Por volta dos 5 minutos, Tomás Reis restabeleceu a igualdade e colocou o Portimonense definitivamente dentro de um jogo que rapidamente passou a ser jogado junto da baliza adversária.
Aos 8 minutos, Andriy teve a oportunidade de completar a reviravolta através de uma grande penalidade, mas não conseguiu converter. O desperdício não alterou a tendência. O Portimonense continuou instalado no meio-campo ofensivo, recuperando rapidamente após perda e obrigando o Gejupce a passar largos períodos sem conseguir ultrapassar a primeira zona de pressão.
A vantagem chegou aos 11 minutos, num lance que mostrou bem a capacidade individual dentro da organização coletiva. Gui partiu da ala para dentro e, a cerca de dez metros, disparou de pé esquerdo ao ângulo para fazer o 2-1.
A partir daqui, o jogo abriu definitivamente.
Aos 13 minutos, Vitinho atacou uma paralela pelo corredor direito, ganhou a frente e finalizou cruzado para o 3-1. Ainda no mesmo minuto, Rochato apareceu dentro da área para desviar “à pivot” e aumentar para 4-1.
O quinto mostrou outra das notas positivas da primeira parte: o critério nas bolas paradas. Aos 14 minutos, num livre direto trabalhado a cerca de onze metros, o Portimonense retirou a bola da zona de remate, encontrou o passe para a direita e Adailton apareceu a finalizar de primeira, com o pé esquerdo, para o 5-1.
O domínio era total e a equipa algarvia continuava a procurar soluções diferentes. Aos 16 minutos, uma sobreposição de Adailton sobre Andriy, utilizado como pivot, terminou com bola colocada no segundo poste, onde Filipinho apenas teve de encostar para o 6-1.
Um minuto depois, Adailton bisou, desta vez através de um remate exterior que encontrou também uma resposta pouco conseguida do guarda-redes adversário. O 7-1 ao intervalo traduzia uma primeira parte de enorme superioridade territorial e ofensiva do Portimonense.
A segunda metade teve naturalmente outra intensidade. Com o resultado resolvido, a equipa técnica distribuiu minutos por praticamente todo o plantel, aumentou a rotação e aproveitou o contexto para trabalhar comportamentos coletivos. Os três guarda-redes - Nuno Costa, Pedro Afonso e Juan - tiveram aproximadamente 13 minutos cada, enquanto com Juan surgiram também alguns momentos de utilização do guarda-redes em posição subida.
Logo aos 23 minutos, Gui voltou a marcar, desta vez em contra-ataque, colocando o resultado em 8-1. O Gejupce respondeu no minuto seguinte, também numa transição, fazendo o 8-2, num dos poucos momentos em que conseguiu encontrar espaço para atacar a baliza algarvia.
A partir daí, o jogo perdeu velocidade, mas não intenção. O Portimonense continuou a defender de forma pressionante a partir do primeiro passe adversário e dedicou largos períodos a trabalhar ataques organizados, combinações grupais e movimentos de bola parada. A diferença entre as equipas permitiu à formação algarvia ensaiar soluções, embora também tenha reduzido a possibilidade de testar comportamentos de transição ofensiva, já que o Gejupce raramente conseguia sair do seu meio-campo.
O nono surgiu aos 36 minutos, quando Rochato recuperou a bola em zona adiantada e finalizou na cara do guarda-redes, completando o bis.
Já no último minuto, Vitinho apareceu ao segundo poste para encostar e fechar o resultado em 10-2, também ele com dois golos.
O marcador expressivo deve ser enquadrado na diferença competitiva entre as duas equipas, mas o Portimonense retirou do encontro aquilo que este tipo de teste permite nesta fase: minutos para todo o grupo, repetição de comportamentos, diversidade estrutural e trabalho específico de situações de bola parada.
A equipa alternou momentos de 3:1 com um 4:0 mais dinâmico, utilizando Rochato, Andriy e Afonso Serra como referências na posição de pivot. A pressão após o primeiro passe adversário foi uma constante e, ofensivamente, existiu preocupação em construir os golos através de movimentos coletivos, particularmente visível nas ações que originaram os tentos de Adailton e Filipinho.
Entre as primeiras indicações individuais, o reforço Luiggi Batista deixou uma imagem positiva: ala sereno, confortável com bola e com qualidade técnica para acrescentar soluções ao plantel.
O Portimonense apresentou um grupo com profundidade e diferentes alternativas para ocupar os mesmos espaços. A exigência do adversário não permite ainda retirar conclusões definitivas, mas a intenção coletiva ficou visível: pressionar alto, recuperar cedo, variar estruturas e fazer da bola parada mais uma arma ofensiva.
O ambiente ajudou a dar ao encontro um caráter pouco habitual para um jogo de preparação. Pavilhão cheio, claque organizada e até música nas pausas técnicas transformaram o teste num pequeno ensaio de competição oficial.
A única ausência relevante foi João Alves, lesionado, enquanto Pedro Senra também não participou no encontro a recuperar de lesão.
Figura da Partida — Adailton (Portimonense)
Dois golos e influência direta em alguns dos melhores movimentos coletivos do Portimonense. Marcou numa bola parada trabalhada, voltou a encontrar o golo através do remate exterior e participou na dinâmica que terminou com Filipinho a finalizar ao segundo poste.
Mais importante do que os números, mostrou capacidade para aparecer em diferentes alturas da construção: largura, sobreposição, associação com o pivot e chegada à zona de finalização. Num jogo utilizado sobretudo para testar comportamentos, Adailton foi um dos jogadores que melhor ligou execução individual e ideia coletiva.