França dá passo histórico com arranque do primeiro campeonato nacional feminino de futsal
O futsal feminino francês entra este fim de semana numa nova era competitiva. França lança, este sábado, o primeiro campeonato nacional feminino de futsal da sua história, reunindo 12 clubes numa prova criada para acompanhar o crescimento acelerado da modalidade e elevar o nível competitivo das jogadoras.
A criação de uma competição nacional surge três anos depois do nascimento da Seleção Francesa feminina de futsal, formada em 2023, e pretende atacar uma das principais limitações identificadas no desenvolvimento da modalidade: a falta de um contexto competitivo regular e exigente para as melhores atletas do país.
Do crescimento da Seleção à necessidade de um campeonato
O selecionador francês, Raphaël Raynaud, considera que a nova prova responde a uma necessidade que se tornou evidente com a evolução da modalidade.
O interesse pelo futsal tem aumentado em França, mas as estruturas competitivas disponíveis não acompanhavam o mesmo ritmo.
Segundo Raynaud, as jogadoras evoluíram rapidamente desde a criação da Seleção, mas começaram a encontrar um “teto de vidro” provocado pela ausência de exigência suficiente no trabalho quotidiano.
A expectativa é que o novo campeonato permita elevar o nível individual das atletas e, como consequência, aumentar também a competitividade internacional da França.
Os números ajudam a explicar a aposta: em 2026, o futsal francês atingiu 52.985 licenças, das quais 7.236 pertencem a mulheres.
«É a concretização de algo que esperávamos»
Para Léa Wioland, internacional francesa de 30 anos e jogadora do Diamant, o início da competição representa a concretização de um processo iniciado com a criação da seleção nacional.
A jogadora acredita que colocar as melhores atletas regularmente frente a frente permitirá acelerar a evolução.
Tal como acontece com muitas praticantes francesas, Wioland começou no futebol de onze antes de fazer a transição para o futsal. A ausência de oportunidades nacionais nos antigos clubes e a vontade de competir com as melhores estiveram na origem da mudança.
Agora, pela primeira vez, existe uma estrutura nacional onde essa ambição pode ser desenvolvida ao longo de toda uma temporada.
Audrey Tabary entre jogar e treinar
Outra das protagonistas será Audrey Tabary, internacional francesa de 33 anos, que representará o US Beuvry, em Pas-de-Calais.
Tabary terá uma particularidade: vai acumular as funções de jogadora e treinadora, continuando também ligada ao futebol de onze.
A internacional francesa reconhece a exigência que se antevê para a nova competição, mas considera impossível deixar passar a oportunidade de participar na primeira edição de um campeonato nacional feminino.
12 clubes escrevem a primeira página
A edição inaugural contará com 12 equipas, distribuídas por diferentes regiões francesas:
Vaulx-en-Velin, Futsal Dijon Métropole, Rennes Métropole, AS Musau Strasbourg, Toulouse Futsal Club, Diamant, US Beuvry, AS Beauvais, Grand Saint-Barthélemy, Hercules Futsal, Sporting e Nantes Métropole Futsal.
Mais do que a criação de uma nova competição, o campeonato pretende estabelecer uma pirâmide competitiva estável, concentrar talento, aumentar a frequência de jogos de maior intensidade e aproximar progressivamente o futsal feminino francês dos países que já dispõem de competições nacionais consolidadas.
Para uma seleção que está apenas na sua quarta temporada de existência, o passo é significativo.
Depois de criar uma equipa nacional, França procura agora construir por baixo dela uma competição capaz de produzir mais jogadoras, aumentar a exigência semanal e transformar o crescimento quantitativo da modalidade em evolução competitiva.
Este sábado começa, por isso, mais do que um campeonato: começa a primeira verdadeira época nacional do futsal feminino francês.