O Olivo Arena rebentou na segunda parte: oito golos de loucura e um guarda redes a fechar a conta
Durante vinte minutos foi um jogo de xadrez. Nos vinte seguintes foi um incêndio. O Jaén Paraíso Interior e o Inter JP Financial empataram a um ao intervalo e despejaram oito golos na segunda parte, num Olivo Arena que passou da tensão ao delírio e acabou a ver o próprio guarda redes Espíndola fechar a contagem num 6-3 que devolveu sensações aos andaluzes e deixou o Inter sem a segunda vitória da temporada, no seu segundo deslocamento do Torneo Apertura.
O Jaén entrou a pressionar alto e logo ao terceiro minuto Mati Rosa inaugurou o marcador (1-0), premiando um arranque em que os andaluzes mandaram no jogo sem contemplações. O Inter respondeu com paciência e com um guarda redes inspirado: Jesús Herrero assinou uma defesa decisiva que evitou que a vantagem local crescesse antes do tempo. Foi um período de faltas acumuladas, e o castigo acabou por cair do lado errado para os anfitriões: a cinco minutos do intervalo, depois da sexta falta do Jaén, Javi Mínguez converteu o livre de 10 metros e restabeleceu a igualdade (1-1). Foi assim que as equipas foram descansar — empatadas, com tudo em aberto e sem que nada anunciasse o que vinha a seguir.
A reentrada mudou o jogo de eixo. Volvidos três minutos do reinício, Joao Salla recolocou o Jaén na frente (2-1) e, à passagem dos 26 minutos, César Velasco ampliou para 3-1, num troço em que os andaluzes voltaram a encontrar a intensidade do arranque. O Inter procurou reagir, mas encontrou-se com um novo golpe: aos trinta minutos, Marvin cometeu falta sobre Bynho e Míchel converteu o penálti para o 4-1, deixando os madrilenos com três golos de desvantagem e dez minutos para fazer o impossível.
Tentaram. Volvido um minuto, Pani reduziu para 4-2 e devolveu ao jogo uma pontinha de dúvida, mas o Jaén tinha respostas para tudo. A quatro minutos do fim, Esteban voltou a esticar a vantagem para 5-2 e, de imediato, Pani bisou para o 5-3, mantendo vivo um Inter que, nos derradeiros dez minutos, jogou em 5x4, com Rivillos a vestir a camisola de guarda redes avançado. O risco tinha de ter preço e teve: já no derradeiro minuto, com a baliza contrária entregue ao 5x4, foi o próprio guarda redes Espíndola a fixar o 6-3 — o remate mais simbólico da tarde e a assinatura definitiva de uma segunda parte de loucos.
O Jaén venceu porque foi mais eficaz precisamente na fase em que o jogo estava para ser decidido. Fez três golos nos dez minutos que seguiram ao intervalo, transformou um 1-1 nervoso numa vantagem de três, e depois administrou o caos sem se descontrolar: cada vez que o Inter reduzia, respondia. O Inter falhou onde o Jaén acertou — na gestão do arranque da segunda parte. Aceitou três golos em dez minutos e uma falta evitável dentro da área, e a partir do 4-1 passou a jogar contra o marcador e contra o relógio, o que no futsal significa jogar contra si mesmo. Teve em Pani o seu melhor argumento ofensivo e em Jesús Herrero o homem que segurou a primeira parte, mas o 5x4 dos últimos dez minutos, mais do que arma, acabou por ser a porta por onde entrou o sexto golo. Competitivamente, o Jaén recupera sensações e confiança num arranque que precisava de uma tarde assim; o Inter fica sem o segundo triunfo do curso e com a sensação de que perdeu o jogo no arranque da segunda parte, não em quarenta minutos.
Figura do Jogo
Joao Salla (Jaén Paraíso Interior FS). O jogo estava empatado, aberto e perigoso quando ele apareceu logo no arranque da segunda parte para recolocar o Jaén na frente. Foi o golo que desbloqueou tudo: a partir dali o Jaén nunca mais largou a vantagem, marcou mais três em dez minutos e resolveu um jogo que ao intervalo estava por decidir. Num conjunto que distribuiu os seis golos por seis marcadores diferentes, foi o dele que mudou a tarde.
Foto - InterFS